Rio de Janeiro - Projetos de organizações da sociedade civil e de
pessoas físicas cujo foco é o combate à
discriminação de qualquer tipo e à violência
institucional, tanto de entidades
do setor público quanto privado, já podem concorrer ao
edital 2010 do Fundo Brasil de Direitos Humanos.
O edital foi
lançado este mês, em solenidade que contou com a
participação do rapper MV Bill, um dos
fundadores da Central Única de Favelas (Cufa) e conselheiro do
fundo. Em entrevista à Agência Brasil, MV
Bill disse que vê de forma muito positiva a iniciativa, porque atende
projetos ligados à área de direitos humanos. São
projetos pequenos, que têm média durabilidade e custo
menor, entre R$ 10 mil e R$ 25 mil”.
MV Bill destacou que
uma das prioridades é que “os protagonistas desses projetos
sejam pessoas que tenham sentido na pele, de alguma forma, aquilo
contra o qual estão lutando com o projeto. É uma
iniciativa do Fundo Brasil que eu acho muito bacana e apóio”.
Este
é o quarto edital da fundação, criada em 2006
com a finalidade de captar recursos “para distribuição
a organizações e pessoas que trabalham na promoção
dos direitos humanos e na sua exigibilidade. Essa é a idéia
principal”, disse o
diretor-presidente do Fundo Brasil, Sergio Haddad.
Nos três
editais anteriores, foram investidos quase R$ 2 milhões em 76
projetos selecionados. Haddad esclareceu que têm prioridade
pequenas organizações de base, que estão em
campo, que não têm acesso a recursos “e que, portanto,
necessitam de apoio para dar continuidade ao seu trabalho”.
O
valor repassado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos alcança
até R$ 25 mil por projeto contemplado. As organizações não governamentais (ONGs) interessadas em
concorrer ao edital devem apresentar os projetos até
março. O julgamento será feito no primeiro
semestre do próximo ano e a assinatura dos contratos
deve ocorrer no segundo semestre, quando começa a
realização dos trabalhos, pelo período de um
ano.
O trabalho de captação de recursos do Fundo
Brasil para apoio a projetos de combate à discriminação
e à violência institucional é realizado em
diversos níveis. No plano internacional, ele conta com apoio
de agências que financiam projetos no Brasil,
como a Fundação Ford, dos Estados Unidos. No país,
apóiam o fundo empresas nacionais, entre elas a Natura, e
doadores individuais que dispõem de recursos financeiros e
querem adotar projetos na área dos direitos humanos.
Até agora, a fundação não dispôs de
recursos públicos, à exceção do apoio
recebido da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da
Presidência da República para o lançamento de
editais no fim do ano, informou Haddad.