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Fundo Rotativo Solidário Fortalece Comunidades do Semi-Árido

Publicado em 14.08.2008 por Pauta Social

Agricultores que participam do projeto Policultura no Semi-Árido, desenvolvido pelo Instituto de Permacultura da Bahia, no centro-norte do estado, estão comemorando a criação do Fundo Rotativo Solidário. O mecanismo permitirá que 24 dos 50 monitores, responsáveis pela multiplicação de conhecimentos e informações entre os demais, possam dar início a um projeto-piloto em apicultura.

Para aumentar a produção de mel e de cera de abelhas, cada um vai resgatar o dinheiro necessário para adquirir um kit com sete colméias, tela, macacão, botas, luvas, fumigador e cera. O valor médio de R$ 1 mil dever ser pago em três prestações anuais, a partir de 2009. Nessa época, outras nove pessoas poderão ter acesso aos recursos para iniciar ou ampliar sua criação de abelhas.

O que tornou possível a criação do Fundo Rotativo Solidário foi resultado de mais uma conquista dos participantes do projeto Policultura no Semi-árido: vencer a edição 2007 do Prêmio Fundação Bando do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Nordeste.

O prêmio de R$ 50 mil é a garantia que faltava para que os cerca de 600 participantes do projeto, moradores de 50 comunidades de Umburanas, Ourolândia, Morro do Chapéu e Cafarnaum, possam dar impulso às atividades que já se mostram produtivas na região, mas que vinham sendo realizadas de forma artesanal. Além da apicultura, o processamento de frutas nativas e adaptadas também ganhou reforços.

Criar o Fundo Rotativo Solidário foi uma idéia que surgiu para que o dinheiro do prêmio não acabasse, pudesse circular e beneficiar mais pessoas, possibilitando acesso ao crédito para mais gente, explica o responsável pelo projeto, Alan Guedes, que assessora o Instituto de Permacultura da Bahia.

A gestão das atividades é feita pelos próprios agricultores, que contam com pontos de apoio nas cidades envolvidas. Um dos gestores é João Batista Bernardo, 25 anos. Ele integra o Grupo Aroeira, que reúne 19 produtores de Umburanas, Ourolândia e Morro do Chapéu.

João conta que os equipamentos já foram distribuídos e, agora, os agricultores estão montando as caixas de abelhas. Depois, é só fazer o manejo e aguardar a colheita do mel, feita 15 dias após as primeiras chuvas. É uma oportunidade especial. Para muitos, seria difícil desembolsar o dinheiro para adquirir os equipamentos e o Fundo Rotativo Solidário, além de facilitar nosso trabalho, ainda beneficiará muitos outros de nossa comunidade.

Os planos são aumentar a produção para garantir tanto o produto para consumo quanto a venda do excedente. Queremos nos associar a uma Casa de Mel para que nossa mercadoria tenha mais qualidade, mais valor e melhor aceitação no mercado, diz.

Grande produtora da fruta, os moradores da região do Projeto Policultura no Semi-Árido viam toneladas de umbu se estragar, por falta de beneficiamento. Da safra, que vai de dezembro a fevereiro, estima-se que apenas 1% era aproveitada, mesmo assim, de forma artesanal, lamenta Alan Guedes.

O valor do prêmio tornou possível, também, a aquisição de itens para a cultura do umbu, como despolpadeira, liquidificador e fogão industriais, placa para corte de frutas e tacho em esmalte, o que permitirá que o suco, a polpa e a geléia da fruta sejam produzidos em maior escala. Este ano, a produção foi de, aproximadamente, 2 mil litros dos produtos.

Na produção artesanal, os agricultores-monitores do projeto instalam os equipamentos em escolas públicas das comunidades, espaço que garante a higiene necessária. O processamento da fruta é feito em mutirão e o resultado é dividido entre os produtores e o Instituto de Permacultura. Ficamos com 50% da produção e os participantes com a outra metade. A nossa parte é usada como lanche em reuniões e eventos de capacitação, explica Guedes.

Mini-fábrica - O processo coletivo e itinerante vai continuar com os novos equipamentos, mas os gestores do projeto estudam uma forma de instalar em Umburanas, Ourolândia e Cafarnaum uma mini-fábrica de beneficiamento. É muito importante para as famílias poder ter um estoque desses alimentos durante o período de seca, pois garantirá a segurança alimentar dessas pessoas, afirma Guedes.

O projeto Policultura no Semi-Árido teve início, em 1999, com a proposta de incentivar, entre os agricultores familiares da região, a plantação de campos de policultura, ou seja, fazer com que eles retornassem à antiga prática de diversificar a produção em contraposição à monocultura.

Assim, a mamona, que representa na região mais de 90% da plantação nacional, convive agora com a tecnologia social de implantação de policultivos em pequenas propriedades agrícolas, baseada nos princípios da permacultura e da agroecologia.

O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social é realizado, a cada dois anos, para certificar e difundir tecnologias sociais - produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade, que representem soluções efetivas de transformação social.

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