Brasília, 28/12/2002 (Agência Brasil - ABr) - O futuro ministro dos Esportes, deputado Agnelo Queiroz (PCdoB-DF), informou, em entrevista à NBr, a TV a cabo da Radiobrás, que uma das prioridades da pasta será usar o esporte como instrumento de inclusão social. Ele anunciou a criação de uma política nacional dos esportes que englobará todas as áreas, desde o esporte amador ao de competição, passando pela valorização dessa atividade nas escolas, com mais equipamentos, professores de educação física e instrutores na área.
Agnelo, que é médico, pretende investir em parcerias com entidades governamentais e segmentos da sociedade civil para colocar milhões de jovens praticando esporte no Brasil. "Esse é o governo do desenvolvimento humano, e o esporte num governo que tem essa concepção terá um papel importante", garantiu o futuro ministro. Ele acrescentou que o esporte também será uma das armas no combate à criminalidade, lembrando que estudos científicos comprovam que o ócio é um dos motivos da violência e do uso de drogas. Segundo ele, é preciso investir na prevenção, despertando nas crianças e nos adolescentes o interesse por alguma prática esportiva. "Se o jovem tem uma atividade prazerosa, que tem regras, que socializa com outros colegas, é evidente que você está tirando esse jovem dessa possibilidade", observou.
Outra prioridade do futuro gestor da pasta será o futebol. Para isso, ele considera fundamental dar continuidade ao processo de moralização dessa modalidade esportiva. "Queremos ser bons no campo e fora dele", afirmou Agnelo, que também pretende dar atenção especial ao torcedor, por meio do Estatuto do Torcedor. "Ele merece o respeito devido, ter uma programação preestabelecida, comprar ingressos antecipadamente, ter conforto no estádio, levar à família ao estádio", explicou.
Sobre o fato de esta ser a primeira vez que o país terá um ministério exclusivo para os esportes, Agnelo afirmou que o desmembramento do Ministério do Esporte e Turismo significa uma atenção especial para a área. "É de fundamental importância ser tratado com essa exclusividade para que a equipe, o próprio ministério e as condições orçamentárias correspondam a essa prioridade, porque não poderia ficar só no discurso", disse.
De acordo com o futuro ministro, uma da primeiras ações será conseguir mais recursos para o financiamento do esporte no Brasil. Para isso, além de parcerias com a sociedade, o próximo governo pretende investir em incentivos fiscais para a área e também estuda a possibilidade de destinar um percentual da renda dos bingos aos esportes. Outra provável fonte de recursos será a Bolsa-Atleta, que, segundo Agnelo, autor do projeto, deverá ser votada no começo do ano pelo Senado Federal. Caso seja aprovada, os atletas carentes que tenham rendimento até o terceiro lugar terão direito ao benefíco para dar continuidade aos treinos.
Agnelo explicou que também serão usados recursos da lei que destina 2% da renda dos prêmios das loterias federais ao esporte olímpico e pára-olímpico. Com base na arrecadação do ano passado, essa quantia corresponde a cerca de R$ 50 milhões, dos quais 85% são investidos no esporte olímpico e 15% no pára-olímpico. De acordo com o futuro ministro, tais recursos possibilitam um planejamento maior na área, com um calendário de competições nacionais e internacionais, o custeio de viagens para os atletas, a contratação de técnicos e a compra de equipamentos. "Eu sei que é pouco, se comparado a outros países, mas já significa um financiamento perene, regular. Nós só poderemos ter um melhor desempenho nessas olimpíadas, se tivermos esse investimento humano e material permanentemente, e não só no ano da olimpíada", disse. (Juliana Andrade)