Brasília - Reeleito no primeiro turno com 50,21% dos votos válidos, o prefeito de São Luís (MA), Tadeu Palácio (PDT), afirma que suas prioridades serão a geração de emprego e renda, o incentivo ao turismo, a criação de novas escolas e unidades de saúde e a melhoria do transporte, com passe personalizado e redução de tarifas. Palácio lembra que, em sua primeira gestão, criou o programa Nossa Vez, uma central de oportunidades que oferece, por meio de bancos parceiros, capacitação e condições para que o cidadão monte seu próprio negócio.
Outra meta, segundo ele, nos próximos quatro anos, é transformar a capital maranhense em pólo de turismo nacional e internacional. "Nós não temos aqui, por exemplo, um turismo específico de praia esse, todo mundo pode ter. O nosso é um turismo para mostrar o patrimônio histórico, o riquíssimo folclore, a culinária e o povo, que é extremamente acolhedor", acrescenta. Leia abaixo a entrevista concedida pelo prefeito à Rádio Nacional AM:
Rádio Nacional: Que experiência administrativa o senhor adquiriu e que poderá ter prosseguimento com a reeleição, num cenário em que o governador do estado é do PFL, o presidente da República é do PT e o prefeito do PDT?
Tadeu Palácio: Desde que assumi a prefeitura, após a renúncia de meu antecessor para ser candidato a governador, o trabalho é para mostrar que poderia haver avanços mais significativos na administração, oferecendo uma cidade cada vez melhor para todos. E o trabalho conseguiu visibilidade por parte da população. Logo que assumi, ainda não havia uma parceria institucional entre a prefeitura de São Luís e o governo do estado. Nosso partido fazia oposição ao governo Lula, seguindo uma posição da direção nacional. Particularmente, nós nunca fizemos oposição ao governo federal, tentamos uma aproximação a fim de garantir recursos para viabilizar os trabalhos na cidade. Isso não foi possível. Então, trabalhamos com os recursos do município. Quando não se pode fazer tudo por dificuldade financeira, a gente tem que trabalhar com duas vertentes: prioridade e planejamento. Resolvemos investir, por exemplo, na educação, com a construção de escolas que têm dez salas de aula, quadra poliesportiva e nelas oferecemos uma das melhores merendas do Brasil. A isto se soma a geração de emprego e renda, que contribuiu para a maior visibilidade. E vencemos a eleição no primeiro turno.
Rádio Nacional: O presidente Lula admitiu falhas no Bolsa Família e pediu ajuda à sociedade para controlar os desvios nos programas sociais. Como esse controle é feito em São Luís e o que o senhor pretende fazer para implementá-lo?
Palácio: Em São Luís, até agora não se registrou falha. Nós cumprimos rigorosamente o que as regras do Bolsa Família determinam, mas soubemos pela imprensa que em alguns municípios maranhenses houve problemas.
Rádio Nacional: Apesar de ter apresentado grande desenvolvimento nos últimos anos, São Luís está atrás de muitas capitais do Nordeste em número de turistas. O senhor pretende implementar ações nesse setor?
Palácio: É uma das metas do meu próximo governo. Nessa cidade, com quase um milhão de habitantes, não existe um centro de convenções. Isso dificulta o turismo de eventos. Temos um programa para incrementar a chegada de pessoas: São Luís é fim de linha, ninguém passa por aqui para ir a outro lugar, daqui para a frente só tem um marzão para seguir até a Europa. Então é preciso criar condições para que as pessoas venham. E temos uma condição privilegiada em nível nacional, por São Luís ter sido declarada Patrimônio Cultural da Humanidade. Para mais quatro anos de administração, nosso projeto com certeza transformará a capital em pólo de visita para o Brasil e para o mundo. Nós não temos aqui, por exemplo, um turismo específico de praia esse, todo mundo pode ter. O nosso é um turismo para mostrar o patrimônio histórico, nosso riquíssimo folclore, a culinária e o povo, que é extremamente acolhedor.
Rádio Nacional: Quais são as prioridades nas questões de natureza social, especialmente nas áreas consideradas heranças complicadas, como saúde, educação e habitação?
Palácio: Nós temos que mudar um referencial da nossa cidade, que é o problema do desemprego. Criamos um programa chamado Nossa Vez, uma central de oportunidades, onde começaremos a descobrir a vocação de cada família, de cada cidadão. A partir daí, haverá capacitação para aprimoramento das vocações e também, por meio dos bancos parceiros, será dada oportunidade ao cidadão de montar o seu negócio. O Ceará, um exemplo típico, produz roupas; Goiás, também; e o terceiro exportador para o Maranhão é o vizinho Piauí. O que falta é uma política séria de geração de emprego e renda na nossa cidade e essa é uma de nossas bandeiras. Na área de saúde, só nós, de São Luís, atendemos a população de toda a ilha não existe atendimento por parte do governo estadual. Aqui, temos 68 unidades de saúde em funcionamento, inclusive com terapia intensiva, para dividir com as pessoas que vêm do interior. Nos próximos quatro anos, vamos inaugurar mais cinco prontos-socorros menores em pontos estratégicos da cidade, a fim de reduzir a carga nas unidades de emergência. Na área de educação, inauguramos mais de uma escola por mês. E temos uma bolsa da prefeitura, com desembolso mensal superior ao da Bolsa Família do governo federal.
Rádio Nacional: Um dos problemas dos municípios é a falta de planejamento em transportes. Como será o sistema integrado de transporte coletivo que o senhor já anunciou?
Palácio: Quando cheguei à prefeitura havia apenas um terminal em funcionamento. Já inauguramos mais dois, vamos inaugurar outro e daqui a uns 90 dias, mais um terminal de integração. Com isso reduzimos o preço da passagem. Enquanto no Brasil inteiro o percentual de pessoas que andava com a meia passagem era em torno de 14% a 16 %, em São Luís chegou a 52% dos usuários, configurando uma fraude que elevava o preço da tarifa. Então criamos aqui, em parceria com associações estudantis, a personalização do passe escolar. Ou seja, o José não pode usar o passe de Maria. Com esse controle, 35 dias depois de implantado, conseguimos reduzir o preço em dez centavos. E com a inauguração desses terminais, a redução poderá chegar a 30 centavos. Eu sou daqueles que entendem que o valor da tarifa do ônibus deveria ser um item da cesta básica, porque no transporte coletivo anda o desempregado e o que ganha apenas um salário mínimo.