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Gestão Social Está em Processo de Evolução

Publicado em 09.11.2004 por Pauta Social

O desafio da evolução na gestão social é integrar as dimensões social, política e gerencial e, ao mesmo tempo, manter a singularidade do setor. A retomada do sentido das organizações sociais e o processo de construção da dinâmica de seu gerenciamento não podem ser trabalhados a partir de um único modelo, e sim com metodologias inovadoras e direcionadas a cada campo de atuação. Esta é a visão dos especialistas para o questionamento proposto pela mesa-redonda "Gestão Estratégica: há um modelo específico para as organizações sociais?".

O desenvolvimento da gestão social na Venezuela nos últimos 15 anos foi o exemplo trazido pela consultora na área de Responsabilidade Social Corporativa e especialista na formulação de projetos sociais, Charo Mendez. As transformações e os desafios enfrentados pelas organizações não-governamentais venezuelanas demonstram a crescente busca pela estruturação do trabalho voluntário.

"Ao longo do tempo as estruturas gerencias das organizações sociais precisaram estabelecer relações de trabalho bem definidas, aproximando-se das equipes de uma empresa privada. Outra relevante mudança foi a entrada dos processos de avaliação das ações", analisou.

A professora da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos/RS), Marilene Maia, abordou a questão da estratégia como algo que nos desafia a reconhecer onde estamos e o que devemos fazer para alcançar nossos resultados.

"Viabilizada através de uma diversidade de agentes e definida entre fatores éticos, políticos, teóricos e técnicos, a matéria-prima da gestão social são as mazelas da sociedade, ou seja, a exclusão dos cidadãos. Os grupos que atuam no processo e no campo social têm como principal estratégia transformar estes quadros sociais, portanto precisam de um referencial organizacional para a articulação de seu projeto societário", defendeu.

Uma das observações feitas pelos especialistas foi o fato de que existe, por parte das organizações sociais, uma certa resistência em incorporar teorias e referências da administração de empresas que, porém, por falta de alternativas, estão sendo utilizadas.

"Estamos em fase de experimentação, ainda não existe uma história de especificidade de organização social. Por isso, por falta de uma linha política e metodológica, o que vemos é a transposição das regras administrativas privadas para a gestão social", expôs o consultor em desenvolvimento institucional de ONGs e gestão de projetos sociais, Domingos Armani.

Charo Méndez

Socióloga venezuelana com experiência na formulação e avaliação de projetos sociais de ONGs. Foi diretora executiva da Associação Nacional de Organizações da Sociedade Civil Venezuelanas e membro do Conselho Diretivo da Federação de Instituições Privadas de Atenção à Criança, ao Jovem e à Família (Fipan).

Marilene Maia

Assistente social, mestre em Serviço Social e doutoranda pela PUCRS. Professora da Unisinos e assessora da Rede Salesiana de Ação Social da Inspetoria Salesiana São Pio X.

Domingos Armani

Sociólogo, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor licenciado da Unisinos. Foi oficial de projetos da agência de desenvolvimento internacional Christian Aid. É consultor independente desde 1997. Especialista em desenvolvimento institucional de ONGs e gestão de projetos sociais e professor convidado de cursos de pós-graduação sobre projetos sociais.


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