São Paulo, 7/5/2004 (Agência Brasil - ABr) - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu hoje, em São Paulo, o engajamento, cada vez maior, da iniciativa privada em projetos de inclusão cultural no Brasil. Gil explicou que isso já vem ocorrendo e lembrou que o ministério tem discutido, por exemplo, com vários institutos, a reformulação da lei de incentivos. Uma das propostas em debate, segundo ele, é a possibilidade de que essas instituições venham a disponibilizar os seus trabalhos culturais mais democraticamente, criando acessos facilitados aos acervos com a gratuidade, por exemplo.
Gilberto Gil enfatizou que a dimensão econômica das promoções culturais vinculadas a algum interesse mercadológico deve estar associada a uma vertente de responsabilidade social. "Isso como interesse das próprias empresas e como interesse das políticas públicas das instituições culturais, é preciso fazer convergir esses dois interesses".
As afirmações foram feitas pelo ministro em entrevista, logo depois de participar da cerimônia de lançamento do Plano de Democratização da Arte Contemporânea Brasileira da 26ª Bienal de São Paulo, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Durante o ato, o presidente da Fundação Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, informou que entidade abrirá mão de toda a receita, normalmente gerada com cobrança de bilheteria. Para ter acesso à exposição dos trabalhos da 26ª Bienal, o público terá entrada franca. Essa gratuidade foi apontada pelo ministro Gilberto Gil como exemplo de parceria com a proposta governamental de inclusão cultural.
Quanto à adesão dos artistas às causas sociais, Gilberto Gil destacou que a categoria tem uma tradição histórica de se engajar facilmente em políticas desse gênero. A maior dificuldade está entre os segmentos do setor privado, apontou. Ele lembrou, no entanto, que já existem práticas da área empresarial a serem seguidas como, por exemplo, os projetos executados em educação, capacitação profissional e habilidades esportivas. O que é preciso "é estender tudo isso, pois há um sentido mais amplo de cultura, de bens culturais, de fruição, de acesso, de circulação de bens culturais de um modo mais geral", justificou.
Gil reconhece que as necessidades como, por exemplo, de alimentação, têm prioridade, mas que não podem excluir as demais que incluem o lazer. "O pão vem em primeiro lugar, mas o circo vem também, cada vez mais. Em sua análise, uma coisa está associada a outra e "é preciso que a inclusão cultural seja um motor da inclusão econômica".
Na solenidade, o ministro acompanhou a apresentação do Plano de Democratização da Arte Contemporânea que pretende, a longo prazo, desenvolver atividades fundamentadas em três eixos: Política Educacional, Política para a Juventude e Política de Cidadania.
(Marli Moreira)