Belém - Para o sociólogo e membro do Conselho Internacional do Fórum
Social Mundial, Cândido Grzybovski, a “frustração” pelo governo Lula
fica “entre o sonho e a realidade”. Hoje (30), ele e outros 60 membros do
conselho tiveram uma reunião com o presidente. Segundo Grzybovski,
havia a expectativa de grandes transformações quando Lula foi eleito.
“Nós
sempre queremos muito mais do que os governantes oferecem, isso vale
tanto para o Brasil como para outros [países]. A importância simbólica desse
encontro é o esforço que o Lula e os presidentes que estiveram aqui
ontem, de manter a sintonia com os movimentos, conhecer a legitimidade
dessas vozes que o Fórum traz que são muito diversas e complexas”,
apontou.
De acordo com o sociólogo, os principais temas da
reunião foram a questão da Palestina, da integração entre os países e
da Amazônia. Os membros do conselho questionaram Lula a respeito do
controle ambiental. “O presidente falou sobre as novas medidas de
zoneamento agrícola e para impedir que o etanol chegue aqui [na Amazônia]”, contou
Grzybovski.
Ao sair da reunião, Lula comentou que ficou muito satisfeito de participar do Fórum e de ter se
encontrado ontem (29) com os presidente Evo Moralez, Hugo Chávez, Rafael
Correa e Fernando Lugo. Sobre as críticas feitas a respeito da política
brasileira de conservação da Amazônia, Lula disse que o Brasil é quem
“deve tomar conta do que é dele”.
“Seria impossível em um Fórum
dessa magnitude que alguém não criticasse o governo. Entretanto, tem
muita gente que fala da Amazônia sem conhecê-la, esquecendo que ela é
do Brasil e, portanto, é o Brasil que tem direito sobre ela. Muita gente
dá palpite na Amazônia sem saber que aqui vivem quase 25 milhões de
habitantes que querem trabalhar e ter acesso a bens materiais, que não querem que a Amazônia seja um santuário da humanidade”, disse.
Ao
avaliar a edição do 9º Fórum Social Mundial, o presidente disse que Belém devolve o
prestígio ao evento com debates qualificados e a participação dos
jovens. Segundo Grzybovski, o Conselho Internacional do Fórum tem uma
visão sobre o papel estratégico do Brasil no mundo, mas dúvidas sobre
algumas opções.
“Não sabemos por exemplo se o Brasil vai tender
mais para o clube dos países ricos ou olhar mais para o outro lado. O
Brasil vai querer ser mais membro do G8 ou da recosntrução de nações?”,
questionou. O sociólogo ressaltou, entretanto, o mérito do governo
brasileiro em estar disposto a ouvir e a negociar com os movimentos
sociais. Segundo ele, há governos “mais sensíveis” e outros “menos
sensíveis” que fecham as portas para os movimentos sociais, como o de
Nicolas Sarkozy (França) e Sílvio Berlusconi (Itália).
“Nós somos a voz da rua, a
voz da cidadania. Eles [governos] têm mandatos delegados pela gente, e
não por empresas ou sei lá quem. Eles não são donos dos mandatos, somos
nós que lhes delegamos e nós queremos que prestem contas, que fiquem
afinados com a gente e inclusive expliquem o que prometem e não fazem”,
afirmou.