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Governo Lula ficou entre o sonho e a realidade, diz sociólogo

Publicado em 30.01.2009 por Agência Brasil

Belém - Para o sociólogo e membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, Cândido Grzybovski, a “frustração” pelo governo Lula fica “entre o sonho e a realidade”. Hoje (30), ele e outros 60 membros do conselho tiveram uma reunião com o presidente. Segundo Grzybovski, havia a expectativa de grandes transformações quando Lula foi eleito.

“Nós sempre queremos muito mais do que os governantes oferecem, isso vale tanto para o Brasil como para outros [países]. A importância simbólica desse encontro é o esforço que o Lula e os presidentes que estiveram aqui ontem, de manter a sintonia com os movimentos, conhecer a legitimidade dessas vozes que o Fórum traz que são muito diversas e complexas”, apontou.

De acordo com o sociólogo, os principais temas da reunião foram a questão da Palestina, da integração entre os países e da Amazônia.  Os membros do conselho questionaram Lula a respeito do controle ambiental. “O presidente falou sobre as novas medidas de zoneamento agrícola e para impedir que o etanol chegue aqui [na Amazônia]”, contou  Grzybovski.

Ao sair da reunião, Lula comentou que ficou muito satisfeito de participar do Fórum e de ter se encontrado ontem (29) com os presidente Evo Moralez, Hugo Chávez, Rafael Correa e Fernando Lugo. Sobre as críticas feitas a respeito da política brasileira de conservação da Amazônia, Lula disse que o Brasil é quem “deve tomar conta do que é dele”.

“Seria impossível em um Fórum dessa magnitude que alguém não criticasse o governo. Entretanto, tem muita gente que fala da Amazônia sem conhecê-la, esquecendo que ela é do Brasil e, portanto, é o Brasil que tem direito sobre ela. Muita gente dá palpite na Amazônia sem saber que aqui vivem quase 25 milhões de habitantes que querem trabalhar e ter acesso a bens materiais, que não querem que a Amazônia seja um santuário da humanidade”, disse.

Ao avaliar a edição do 9º Fórum Social Mundial, o presidente disse que Belém devolve o prestígio ao evento com debates qualificados e a participação dos jovens. Segundo Grzybovski, o Conselho Internacional do Fórum tem uma visão sobre o papel estratégico do Brasil no mundo, mas dúvidas sobre algumas opções.

“Não sabemos por exemplo se o Brasil vai tender mais para o clube dos países ricos ou olhar mais para o outro lado. O Brasil vai querer ser mais membro do G8 ou da recosntrução de nações?”, questionou. O sociólogo ressaltou, entretanto, o mérito do governo brasileiro em estar disposto a ouvir e a negociar com os movimentos sociais. Segundo ele, há governos “mais sensíveis” e outros “menos sensíveis” que fecham as portas para os movimentos sociais, como o de Nicolas Sarkozy (França) e Sílvio Berlusconi (Itália).

“Nós somos a voz da rua, a voz da cidadania. Eles [governos] têm mandatos delegados pela gente, e não por empresas ou sei lá quem. Eles não são donos dos mandatos, somos nós que lhes delegamos e nós queremos que prestem contas, que fiquem afinados com a gente e inclusive expliquem o que prometem e não fazem”, afirmou.



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