Bianca Estrella
Especial para a Agência Brasil
Porto Alegre (RS) - O problema da inclusão digital não se resolve apenas com o computador. O cidadão precisa ter recursos para conseguir manter o serviço de telecomunicações. A afirmação foi feita pelo presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), José Zunga, durante a palestra Telecomunicações como meio de inclusão social aceleração social, no 5º Fórum Social Mundial.
Para ele, "custos como o da ligação telefônica para internet discada ou do valor para a aquisição do serviço de banda larga precisam ser reduzidos drasticamente para que os usuários de baixa renda também possam estar conectados à rede mundial", declarou.
Zunga lembrou que a telefonia móvel, por exemplo, tem crescido muito, mas o preço da assinatura básica do telefone fixo tem restringido a manutenção do serviço entre os mais pobres. "Um número cada vez maior de brasileiros compra celular apenas para receber chamadas e essa prática também contribui para a desaceleração da inclusão digital, pois não permite que as pessoas mantenham uma comunicação satisfatória", disse.
Para o assessor da Celepar, Cláudio Dutra, o cidadão brasileiro que a inclusão digital. "No início, poderá haver até algum tipo de dificuldade, mas aos poucos, o cidadão vai se adequando ao computador". Dutra lembrou de uma experiência vivida em um telecentro digital (local de livre acesso da população com equipamentos conectados à internet) no Rio de Janeiro. "Neste telecentro, muitos usuários não possuíam um CEP, mas tinham seu correio eletrônico e podiam se comunicar com o mundo inteiro por meio dele".
Zunga informou que o governo federal estuda um programa para fornecer equipamentos de informática mais baratos aos brasileiros. "É necessário que o governo crie um modelo que convoque os fabricantes a produzir um computador de qualidade e com baixo custo. Para isso, uma revisão da política fiscal do país terá que ser realizada porque grande parte do valor pago por um computador é de impostos, o que encarece o custo final para o consumidor", afirmou.