Fabiana Vezzali
Enviada especial
Porto Alegre - "A agenda política do governo em relação ao software livre e sobre os desdobramentos culturais dessa questão é a mesma agenda da sociedade civil organizada hoje". Com essa afirmação, o coordenador de Políticas Digitais do Ministério da Cultura, Cláudio Prado, explicou a presença de integrantes do governo federal nos principais debates sobre propriedade intelectual e sociedade da informação durante a quinta edição do Fórum Social Mundial, que começa nesta quarta-feira (26).
Na sexta-feira (28), Sérgio Amadeu da Silveira, presidente do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), Cláudio Prado, coordenador de Políticas Digitais do MinC e Sergio Rosa, diretor do Serpro, participam do debate "Revolução Digital: Compartilhamento X Bloqueio do Conhecimento na Sociedade da Informação". No dia seguinte (29), o ministro da Cultura, Gilberto Gil, estará no seminário "Revolução Digital: Software Livre, liberdade do conhecimento e liberdade de expressão na Sociedade da Informação".
O Brasil tem se destacado no cenário internacional com formulação e experiências de inclusão digital e uso das tecnologias de informação. No país, o uso do software livre na estrutura governamental foi adotado pela primeira vez em 1998, durante a gestão de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul. "Foi o primeiro governo do mundo a adotar software livre", garante Marcelo Branco, membro do Projeto Software Livre.
Para ele, a presença do governo nas discussões reflete a sintonia com a sociedade civil organizada do Brasil e de outros países. "O Brasil é líder dessa discussão no cenário mundial. O governo federal apóia, tem uma sociedade civil organizada, há uma Frente Parlamentar que apóia. Nossa tecnologia em software livre é de ponta."
Cláudio Prado concorda com a avaliação. "Para nós, o software livre é o primeiro modelo de uma revolução de costumes, de modos de fazer uma política social que permite a tecnologia a ser apropriada por aqueles que fazem". Ele diz que o ministério tem trabalhado para ampliar a discussão e implementar experiências de cultura digital que permitem a democratização do acesso às produções, como os Ponto de Cultura e os telecentros do programa Casa Brasil, por exemplo.
Cada Ponto de Cultura é equipado com câmera digital, computador, estúdio de gravação conectados à internet, com todos os equipamentos utilizando software livre. Além da produção de música, vídeo e gravações, os pontos estão abertos para atividades de dança, teatro, leitura e artes visuais, entre outras manifestações culturais.(Fabiana Vezzali)