O Itaú anuncia nesta terça-feira, 27, os projetos contemplados pelo Programa Ecomudança, voltado a organizações sem fins lucrativos que desenvolvam iniciativas com foco em redução de emissão de gases causadores do efeito estufa. Duas das ações selecionadas prevêem a substituição do óleo diesel, utilizado nos barcos de pesca artesanal da Reserva Extrativista da Marinha de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, e em fornalhas de aquecimento de piche de usina de asfalto, em Curitiba, por alternativas mais sustentáveis. Além disso, entre as ações contempladas existe ainda a proposta de ampliação da capacidade de uma cooperativa de catadores em Minas Gerais.
As iniciativas são do Centro de Logística e Apoio a Natureza - Clean (RJ), Instituto de Pesquisa e Conservação da Natureza Idéia Ambiental (PR) e da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras - Acamar (MG), respectivamente. Ao total serão investidos R$ 320 mil, entre apoio técnico e financeiro, para viabilizar as iniciativas dos três projetos.
"Por meio desta ação, o Itaú busca contribuir com o fortalecimento de projetos socioambientais, direcionando parte de taxas de administração de fundos geridos pelo banco para projetos relacionados a mudanças climáticas", diz Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco.
O Programa Itaú Ecomudança contou com a inscrição de 62 projetos em todo o país, que foram analisados pelo banco em parceria com o Instituto Ekos Brasil. A escolha ainda passou por um Conselho Consultivo composto por lideranças na área de sustentabilidade. Os critérios utilizados para a escolha se basearam na eficiência de intervenções realizadas sob os temas de eficiência energética, renovável e manejo de resíduos. O valor do repasse de recursos corresponde a 30% da taxa de administração dos fundos Itaú DI Ecomudança ou Itaú RF Ecomudança apurada entre 31 de agosto de 2008 e 31 de agosto de 2009.
A proposta do Centro de Logística e Apoio a Natureza traz como alternativa a substituição do óleo diesel utilizado nos barcos de pesca artesanal da Reserva Extrativista da Marinha de Arraial do Cabo no Rio de Janeiro, por biodiesel (B-100), produzido a partir da reciclagem de 36.000 litros de óleo usado de cozinha. Com essa quantidade seria possível substituir 100% do diesel consumido nos barcos. A iniciativa prevê também a redução de despesas para as famílias dos pescadores e redução das emissões de gases de efeito estufa. Hoje a instituição já recolhe cerca de 4 mil litros de óleo de cozinha usado, que são destinados a fabricação de sabão.
Já o Instituto Idéia Ambiental apresentou iniciativa para a substituição de óleo diesel por pellets, biomassa vegetal na forma de granulados, em fornalhas de aquecimento de piche de usina de asfalto. Desenvolvido parceria com a Ecoheater, empresa criadora da tecnologia, o sistema a ser empregado pelo projeto queima os resíduos vegetais e é capaz de produzir energia térmica a baixos custos, gerando benefícios ambientais. A ideia surgiu com o objetivo de reduzir os custos de produção dos pellets, com novos processos de secagem e utilização de matéria-prima disponível e mais barata.
A Acamar, cooperativa que tem como finalidade coletar materiais recicláveis, separar e comercializar, propõe a ampliação de sua capacidade de 65 para 100 toneladas mensais. Com o valor doado será possível custear investimentos para aquisição de máquinas como esteira de separação de resíduos, empilhadeira com garra para fardos e prensa enfardadeira, para facilitar suas atividades. Hoje a coleta é feita por três caminhões e uma mini-van, envolvendo 25 famílias e cinco municípios mineiros. Além de plásticos, vidros, papel, são coletados também, por mês, 170 m³ de madeira usada nas indústrias da região, que são transformadas em caixotes, móveis populares ou vendidos à padarias, pizzarias, entre outros estabelecimentos, para serem aproveitadas como lenha.
Lançado em agosto de 2007, o fundo Itaú RF Ecomudança trouxe um diferencial inédito ao mercado: permitir ao investidor aplicar recursos e, ao mesmo tempo, compensar as emissões de gases causadores do efeito estufa. Neste ano foi lançado um novo produto com o mesmo objetivo, o fundo Itaú DI Ecomudança.
Os fundos foram criados com o objetivo de destinar 30% da sua taxa de administração para o apoio de ações ambientais de organizações não-governamentais que visam a eficiência energética e conseqüente redução da quantidade de CO² (dióxido de carbono) no ar, principal fator responsável pelo aquecimento global.
Para auxiliar o investidor interessado em compensar suas emissões de carbono foi desenvolvido um simulador de emissões de CO². Basta acessar o do Itaú, selecionar Investimentos e em seguida Fundos e responder a um breve questionário na página dos fundos Itaú DI Ecomudança ou Itaú RF Ecomudança, clicando sobre "Simule suas emissões de CO²".
Ao longo de sua história, o Itaú procura combinar consistente desempenho financeiro com atitudes que privilegiam a ética, a transparência no relacionamento com clientes, colaboradores, acionistas e comunidade e a competência gerencial, colocando-se a serviço da sociedade na busca conjunta de soluções para os problemas sociais e ambientais. Na visão do Banco, sustentabilidade consiste na manutenção dos negócios, no curto, médio e longo prazos, que permita uma entrega perene de valor às partes interessadas.
O Itaú é signatário dos Princípios do Equador, conjunto de normas por meio das quais os bancos se comprometem a observar a política social e de meio ambiente da IFC (Internacional Finance Corporation), organismo do Banco Mundial, nas operações de financiamento de projetos. Indo além do estabelecido e com uma política de risco socioambiental específica, os critérios socioambientais já são aplicados no banco a projetos com valor a partir de R$ 5 milhões.
O Itaú tem também investido em programas de ecoeficiência, iniciados em 2004, com o objetivo de reutilização de água e reciclagem de materiais diversos. Como exemplo, podemos destacar montagem de um modelo único e centralizado de coleta seletiva nos edifícios do banco e a consolidação de um único inventário de emissões de GEEs (gases de efeito estufa).
Além disso, a Usina Termoelétrica Bandeirantes (Uteb), administrada pelo banco, produz eletricidade para abastecer seis prédios administrativos utilizando energia renovável, a partir do gás bioquímico, gerado e coletado no aterro sanitário Bandeirantes. Só em 2009 foram gerados 107.703 mil créditos de carbono em 2009, que correspondem a 378.964 mil toneladas de carbono não emitidas. Para este ano, a meta é iniciar o abastecimento de mais um pólo administrativo atingindo 60 mil MWH de energia.
No Brasil, o banco compõe o Dow Jones Sustainability World Index (DJSI World) por dez anos consecutivos e o Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa. Em junho de 2009, o Itaú Unibanco recebeu do jornal britânico Financial Times e da International Finance Corporation (IFC) o prêmio Emerging Markets Sustainable Bank of the Year, reconhecimento máximo concedido à instituição financeira mais sustentável dos mercados emergentes, considerando a criação de valor em redução de custos e mitigação de riscos, dentre eles os socioambientais.