Brasília - O Ministério da
Educação (MEC) quer uma mudança profunda nas
diretrizes curriculares do ensino médio e a integração
dessa etapa com a educação profissional. Após um
ano de trabalho, a comissão interministerial formada para
reestruturar o ensino médio apresentou hoje (16) os primeiros
resultados.
Segundo o
coordenador-geral do ensino médio, Carlos Artexes, a idéia
é fortalecer a integração entre o MEC e os
governos estaduais, responsáveis por oferecer essa etapa de
ensino para criar o que chamou de “ensino médio nacional”.
A etapa é considerada a mais frágil de todo o sistema
de ensino. Hoje, mais de 50% dos jovens de 15 a 17 anos não
estão matriculados nessa etapa de ensino.
O principal problema
apontado por especialistas é que o ensino médio não
atende às necessidades do jovem brasileiro. O ministro de
Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, que compõe a
comissão, afirmou que a iniciativa é uma medida de
capacitação do “povo do nosso país que
fervilha de energia humana frustrada e dispersa”.
“Vamos usar esse
projeto como alavanca para mudar a maneira de ensinar e de aprender
no Brasil. Substituir o ensino orientado para a decoreba por um
ensino analítico, capacitador. Será um ensino que
substitui o foco na informação enciclopédica
pelo uso seletivo da informação aprofundada como
instrumento de capacitação”, definiu Mangabeira
Unger.
O processo de mudança
do formato do ensino médio, segundo o ministério,
começará pelos Centros Federais de Educação
Profissional e Tecnológica (Cefets), que hoje já adotam
o modelo integrado. A rede está sendo expandida e a previsão
é inaugurar 150 escolas novas até 2010.
“Nós vamos ter
que aprender a organizar essa colaboração com os
estados, porque a maioria das escolas médias é
responsabilidade dos estados, eles é que tem a
responsabilidade. Vamos engajar os estados na transformação
das escolas já existentes”, indicou Mangabeira. Ele não
acredita que esse direcionamento interfira na autonomia dos estados
para definir as políticas estaduais de educação.
“Não é
uma imposição de cima para baixo. O governo federal tem
legitimidade para atuar nas escolas técnicas. Eu tenho a
convicção de que a ampliação dos Cefets
vai exercer um imenso efeito demonstrativo, eles vão atrair os
melhores professores, os melhores alunos. Então, aos estados
que se interessarem, vamos propor uma colaboração na
transformação do ensino médio”, apontou.
Outra determinação
do grupo de trabalho é a obrigatoriedade do ensino médio.
Hoje, o ensino é obrigatório dos 7 aos 14 anos, faixa
etária que compreende o ensino fundamental. Mas o ministério
quer ampliar essa cobertura, por meio de Proposta de Emenda à
Constituição (PEC), para alunos de 4 a 17 anos. O
ministro da Educação, Fernando Haddad, afirma que as
redes estaduais e municipais serão capazes de garantir esse
acesso em um prazo de até seis anos.
“Os números
mostram que nos próximos dez anos o Brasil viverá um
momento único de bônus demográfico. A população
entre 0 e 17 anos cairá entre 7 e 8 milhões em dez anos.
Por isso é absolutamente possível que em um prazo
inferir a esse, de cinco ou seis anos, nós possamos tornar
essa regra universal”, argumenta.
O membro do Conselheiro Nacional
de Educação (CNE) e presidente do movimento Todos pela
Educação, Mozart Neves, lembrou durante a apresentação
que é importante pensar na formação dos
professores que irão aplicar esse novo modelo nas salas de
aula. “O projeto é excelente, mas o que está sendo
trabalhado hoje nas universidades é o oposto disso. As
instituições de ensino superior precisarão
imediatamente enfrentar o desafio, é necessária uma
gestão articulada com as universidades”, apontou.
O documento elaborado
pela comissão deve ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no
início de janeiro, segundo Haddad.