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Movimentos sociais criticam reforma agrária aplicada pelo Banco Mundial

Publicado em 29.01.2005 por Agência Brasil

Fabiana Vezzali

Enviada especial


Porto Alegre A política do Banco Mundial aplica o que os movimentos do campo chamam de reforma agrária de mercado, ou seja, a venda de terra aos agricultores no lugar da desapropriação. O modelo é apresentado como alternativa à proposta dos movimentos sociais, que defendem a distribuição de terras, e prejudica a mobilização social no campo. Essa foi a principal discussão do encontro entre movimentos e organizações envolvidos com a questão agrária nesta sexta-feira (28), durante o 5º Fórum Social Mundial.

Outro problema apresentado, segundo os participantes, é que o modelo de reforma agrária implementado pelo Banco Mundial em diversos países também influencia as ações de governos e de outros organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Sérgio Sauler, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), diz que a proposta do banco se contrapõe à estratégia de reivindicação dos camponeses e ironiza: "é a reforma agrária segura e pacífica. Se o latifundiário quer vender e eu quero comprar, por que não?". Ele avalia que o principal impacto dessa política é a desmobilização de outros agricultores e trabalhadores sem-terra. "Desconfio que se fizermos um mapa dos recursos do Banco, eles estão em países com longa história de luta popular pela terra, como o Brasil, por exemplo."

O modelo apresentado pelo Banco Mundial tem sido implementado de forma semelhante em países com culturas bastante diversas, como Filipinas, Guatemala, Bolívia, El Salvador e Colômbia, por exemplo.

"As estratégias apontam para o crescimento das políticas de liberalização e mercantilização da agricultura, além do apoio à agricultura de exportação. Entre 2000 e 2004, os governos aprovaram 25 projetos do Banco Mundial", diz Wilma Stothenke, integrante da Global Campaign For Agrarian Reform na Alemanha.

A antropóloga Liza Grandia também chama a atenção para as conseqüências do projeto do Banco Mundial sobre os povos indígenas na Guatemala. Segundo ela, o programa de legalização de terras adotado pelo governo tem obrigado os indígenas a pagar um preço muito alto pelo título de propriedade que ocupam há décadas.

"As políticas do Banco Mundial foram implementadas principalmente no norte do país, onde a colonização aconteceu nos anos 60 por agricultores sem terra. Um dos grupos que migrou para essas terras foram os Q´eqchi´ terceiro maior grupo indígena da Guatemala. Eles e outros camponeses estavam vivendo nessas terras quando criaram parques nacionais de preservação. Então, o Banco Mundial introduziu um programa de legalização dessas terras para evitar mais invasões. A idéia é um absurdo porque exige título de terras que as pessoas já ocupam há anos", diz.

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