Um jeito especial de viver a brasilidade da música. Assim é Nelson Coelho de Castro, que integra a segunda turnê do projeto Sonoras Energias AES Sul e LIC-RS em 2005 pelo interior do Rio Grande do Sul. Seu roteiro, tendo como base o CD Da Pessoa e organizado pela Cida Assessoria de Eventos, se inicia às 20h do dia 21 de junho pelo Centro de Cultura e Eventos de Bom Princípio e termina no dia 26 pelo Teatro Municipal em Santana do Livramento. No período, passa por Sapiranga, Santa Cruz do Sul, Cachoeira do Sul e Santa Maria.
Da Pessoa é o quinto disco de Nelson Coelho de Castro. Um feixe de 15 canções mostra desde a novíssima safra do compositor, incluindo até Futebol, música premiada como "originalíssima" no Festival Universitário da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) de 1977. Ao todo, são nove sambas, um samba enredo, três canções/vinhetas, um choro e uma balada em levada de reggae. O repertório da turnê, contudo, mistura sua carreira autoral e apresenta Santa, Cristal, Felpa, Vim Vadiá, Teu Nome, Homem Aalma e ainda Serra Geral, Mestre Neri, Colombina, Pérola no Veludo, No Braço e Verniz da Madrugada. A noite é completada com Tão Bonita Voz, Pátria Mãe, Rapaz e Teu Não é Sim, afora as improvisações.
Segundo especialistas e críticos do setor, neste álbum está o amadurecimento de um compositor e de sua obra em quase 30 anos de carreira. Sem pretensão ou simulacros a sinceridade vai por tudo - crua, como a faixa que abre o disco No Braço Com A Vida - "...hoje já sei quem me guia, hoje já sei quem me fez... ...Beijei na cara da dor, sai no braço com a vida, fiz o meu próprio tambor".
Os músicos convidados para formar a banda de estúdio foram Fernando do e Giovani Berti na percussão, Mário Carvalho no baixo, Michel Dorfman no piano e teclados e Edilson Ávila, na guitarra, violão e violão de sete cordas. Todos de trajetórias consagradas, emprestaram brilho aos arranjos e nas "levadas" a partir da concepção que Nelson quis emprestar a este seu novo trabalho. A faixa Mestre Neri, uma homenagem que o artista faz ao mestre de bateria Neri Caveira, contou com participação especial dos ritmistas Sandro Gravador, Tiago, Leonardo, Wagner, Sandro Brinco, Darci Caju (todos integrantes da Escola Imperadores do Samba de Porto Alegre).
Trajetória
Nelson nasceu em Porto Alegre e desde cedo demonstrou interesse pelo setor, participando de grupo de meninos cantores do Colégio São João entre 1965 e 68. Com Nas Rodas de Som, projeto de Carlinhos Hartlieb de 1975, faz sua estréia como compositor. Em 76, participa dos Festivais Universitários da PUC. Ali, com a música Futebol, recebe o Prêmio de Originalidade. No ano seguinte, se forma em Jornalismo e realiza seu primeiro espetáculo E o Crocodilo Chorou, ao lado do seu grupo Olho da Rua e dirigido por Luciano Alabarse. Em 78, as canções Rasa Calamidade (sobre a miséria e altivez da Vila Cruzeiro do Sul de Porto Alegre) e Águias irão fazer parte primeiro registro fonográfico através do LP coletivo Paralelo 30, produzido pelo jornalista Juarez Fonseca.
Em 1979, lança seu primeiro compacto, Faz a Cabeça e, entre 80-81, produz e lança Juntos, um marco na música gaúcha e que vai influenciar outros compositores neste segmento alternativo. Já em 83, grava o LP Nelson Coelho de Castro, mesmo ano em que vence o 1º Festival Latino Americano da Canção - Musicanto. Recebe o Prêmio Tibicuera com o musical infantil A Cidade do Lugar Nenhum, participa da trilha sonora do filme Verdes Anos com a canção Armadilha e ganha o título de Personalidade do Ano pela crítica especializada.
Com o disco Forç