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Novo presidente do Iphan quer concurso público para preencher 500 vagas

Publicado em 16.03.2004 por Agência Brasil

Brasília, 16/3/2004 (Agência Brasil - ABr) - Pela primeira vez, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) será dirigido por um antropólogo. Antônio Augusto Arantes informou, ao ser empossado hoje pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, que o Instituto deve abrir concurso público para o preenchimento de 500 vagas.

Para o novo presidente, é importante resolver problemas internos de modo a alcançar a integração das várias áreas do instituto. "O que muda é a natureza das relações entre as várias áreas. A partir dessa integração é que vamos atingir a população. O público alvo do Iphan não são os casarões, mas a população para a qual essa peça faz sentido", afirmou.

Com nova diretoria, o trabalho do Iphan, será desenvolver uma relação da população com o patrimônio histórico. "É preciso contribuir para que a população possa utilizar os recursos que o patrimônio contém, que são bens transmitidos de pais para filhos, de geração em geração, e servem para valorizar a auto-estima e as referências culturais", disse Arantes.

O ministro Gil disse que este será o ano do instituto. "Assim como o cinema foi uma prioridade no ano passado, vamos dar uma atenção especial ao Iphan neste ano". Segundo ele, o primeiro passo será "arrumar a casa", para depois executar os projetos. "Nós queremos que o Iphan se aparelhe melhor, faça seu concurso, um plano de carreira e que haja recursos suficientes para isso, mas que haja, sobretudo, vontade política". Gil lembrou que, de 1990 para cá, o Iphan perdeu metade do seu quadro de funcionários.

A estratégia do Iphan será unir a cultura a outras áreas. "Vamos articular questões de cultura com educação, habitação e meio ambiente, áreas de políticas sociais do governo. Esse é o 'do-in' do patrimônio, pressionar os pontos de ligação da cultura com todas as outras áreas da vida humana", brincou o novo presidente.

Segundo Gilberto Gil, o Iphan deve desenvolver um trabalho em conjunto com o Ministério da Educação, de modo a divulgar a importância do patrimônio nas escolas; com o Ministério do Turismo, o trabalho visará à formação de guias e com a Funai, à valorização da cultura indígena.

Aos 60 anos, Antônio Augusto Arantes é doutor pela Universidade de Cambridge e professor titular aposentado do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Como pesquisador, desenvolveu os trabalhos "Cultura e Política", "Espaços e Territórios Urbanos" e "Patrimônio e Identidade em Tempo de Globalização". No Iphan, ele já atuava como diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial e Documentação.

(Alessandra Bastos)

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