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O Negro no Mercado de Trabalho

Publicado em 24.10.2005 por Pauta Social

O Instituto 21 de Março - Consciência Negra e Direitos Humanos promove de 26 a 28 de outubro o 1º Seminário O Negro no Mercado de Trabalho para promover o debate e a reflexão para a construção de um plano de ação, com vistas à elaboração de políticas afirmativas para a diversidade nas empresas, sejam elas públicas ou privadas, abrangendo as diversas áreas responsáveis das empresas.

Embora a segregação racial esteja presente de várias formas na sociedade brasileira, é no mercado de trabalho que se expressa com maior clareza a eficiência dos mecanismos discriminatórios. Fatores aparentemente objetivos tornam-se, no mercado de trabalho, requisitos que hierarquizam as diferenças naturais entre trabalhadores/as e, no caso do Brasil, colocam os negros em desvantagem em relação aos não-negros.

A relação Educação e Trabalho, considerando que as pesquisas e levantamentos de dados realizados nos últimos anos sobre a população negra no Brasil indicam estas duas áreas como a fonte e o principal lugar onde estão concentradas as desigualdades sócio-raciais. Quanto às diferenças inter-raciais, a possibilidade de acesso à educação da população negra continua sendo menor do que a dos brancos como conseqüências uma inserção desigual no mercado de trabalho e rendimentos entre brancos e negros, e homens e mulheres. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano de 2003, divulgou números alarmantes, que confirmam a desigualdade no mercado de trabalho em todos os estados da Federação. Por exemplo, negro recebem menos que brancos com a mesma qualificação e nível educacional, como as mulheres ganham menos que os homens, e submetendo as mulheres negras. A Responsabilidade Social das empresas deve ser um conceito que encontre base de ação. Muito além de um conceito meramente humanista, a responsabilidade social representa uma reformulação de um velho paradigma imposto pela mão invisível do mercado. A privatização dos frutos do trabalho social por determinados setores representa a forma mais perversa de usurpação da riqueza coletiva. O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, uma organização privada de empresas associadas divulgou recentemente o que se poderia chamar vulgarmente do dilema da responsabilidade social empresarial no Brasil em sua pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Políticas Afirmativas. O que foi revelado? Que pelo menos 40% num universo de 247 empresas brasileiras desenvolvem alguma modalidade de ação afirmativa e que perfazem aproximadamente 1.170.597 funcionários. No entanto ao se avaliar os dados desagregados percebe-se a afirmação de profundas desigualdades raciais e de gênero nas empresas pesquisadas, isto é, verificar-se um hiato entre a prática e o desejo substancial de se promover ações afirmativas. O índice de participação na diretoria das empresas é de 9% para as mulheres e de 1,8% para os negros. Na medida em que se desce na hierarquia corporativa das empresas estes percentuais tendem aumentar, como revela a pesquisa: as mulheres perfazem 28% dos postos de nível de supervisão e 35% do quadro funcional e, entre os negros, as funções de supervisão chegam a 13,5% e 23,4% no nível funcional. Paradoxalmente, o Instituto Ethos tem empreendido esforços institucionais no sentido de promover a diversidade no ambiente corporativo, publicando exemplarmente a cartilha Como as Empresas podem (e devem) Valorizar a Diversidade, no entanto, este aspecto tão indispensável para uma sociedade marcadamente enviesada pela mesclagem racial, ainda não é considerado na definição nas estratégias de contratação por um número significativo de empresas. O evento é voltado para profissionais das áreas de Recursos Humanos, Psicologia, Serviço Social, Acadêmicos, Advogados, Juízes, Procuradores do Trabalho, Sindicatos dos Bancários, Construção Civil, Shoppings Centers, Empresas de Segurança, Hipermercados e Supermercados, Empresários em geral. Contato


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