Nos próximos dias 2 e 3 de dezembro, produtos de mais de 80 artesãos serão expostos na quinta edição da Feira de Arte e Iniciativa Solidária, organizada pela ONG Atoar. Na feira, que será realizada na Praça Cláudio Coutinho, Leblon, com entrada franca, serão encontrados mosaicos, bijuterias, luminárias de papel reciclado, suplás, cestos em palha, frutas desidratadas, cerâmicas, fuxicos, pinturas em tecido e produtos para o natal, numa variedade que encanta o público e revela um novo caminho para a promoção do artesanato.
A Feira de Arte e Iniciativa Solidária é a vitrine da ONG Atoar, que trabalha com um pé na arte e outro no mercado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), cerca de 9 milhões de pessoas vivem do artesanato do Brasil. Muito mais do que organizar a feira, a Atoar investe na capacitação do artesão e no fortalecimento de suas relações. A ONG organiza reuniões mensais para a integração do grupo e ainda oferece palestras com profissionais que orientam os artesãos tanto nas questões fiscais e contábeis do ofício quanto à identidade visual e apresentação dos produtos.
Nesses encontros, os artesãos debatem técnicas de venda e trocam informações sobre materiais. Nossa meta é aliar a produção artesanal à geração de renda com a qualificação dos grupos de produção do estado do Rio. O artesanato é uma forma de inclusão social e geração de trabalho e renda. A quinta edição da Feira de Arte e Iniciativa Solidária mostra que a união da pluralidade artesanal é o caminho certo para reduzirmos a desigualdade e aproximarmos as pontas do estado, explica a vice-presidente da ONG, a psicanalista Maria Eliza Maciel.
A Pluralidade do Artesanato
Entre os artesãos, surpreende o número dos que trabalham com a reciclagem e se preocupam com questões ambientais. Os integrantes do projeto Manguezarte, por exemplo, desenvolvem mosaicos de embalagens plásticas, móveis e objetos com garrafas pet, papel e jornal. As mãos de 20 jovens da Pequena Obra Nossa Senhora Auxiliadora (Ponsa), associação que funciona no sopé do Morro Dona Marta, transformam cacos de ladrilhos e azulejos em porta-retratos, bandejas, descanso de mesa e outros objetos de decoração.
Nomes já conhecidos do público também estão presentes na Feira como Cocco Barçante professor do Senac Cetiq e coordenador do Projeto Papel Pinel que trabalha com internos do hospital psiquiátricos , que produz bolsas, malas e aventais singulares, todos em tecido pintado; a dupla Silvia e Teresa, do Estúdio 3, um dos mais consagrados na produção de cerâmica utilitária em todo o estado; a artista plástica Eleonora Dobbin, que confecciona máscaras em papel maché e inclusive exporta boa parte da produção para a Europa; Ana Lua, com suas porcelanas e tecidos pintados. Grupos que de alguma forma estão excluídos do mercado de trabalho formal e que buscam no artesanato a geração de trabalho e renda também têm espaço na Feira.
A Arte Fatos da Vida, por exemplo, reúne dez homens portadores do vírus HIV. Eles, que trabalham há dez anos com encadernação e cartonagem, vão mostrar durante a feira sua última coleção inspirada na temática afro, principalmente na série O negro na fotografia, de George Ernakoff, datada do século 19. A Artes e Artes & Ofícios é uma cooperativa de 20 mulheres da periferia, com mais de 40 anos, que se reúnem em torno da costura e do reaproveitamento de tecido.