Fabiana Vezzali
Repórter da Agência Brasil
Porto Alegre - "Após o 11 de setembro, a política de combate ao terrorismo conseguiu justificar o conflito entre chechenos e o Estado russo", diz a advogada chechena Lydia Yusupova. Enquanto apresentava fotos de vítimas de tortura e violência por parte do exército russo e de outros grupos armados, Lydia dizia que seu caso era mais um exemplo de violação dos direitos humanos sofrida por países como Colômbia e Palestina. "Na Chechênia, há um sistema judicial, advogados, juízes e, mesmo assim, não há proteção civil à população."
A discussão sobre direitos humanos é um dos eixos principais do 5 º Fórum Social Mundial. Durante o debate "A luta antiterrorista e o respeito aos direitos humanos", os participantes defenderam que as políticas repressivas e a diminuição dos direitos civis cresceram em todo o mundo após o atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Para o vice-presidente da FIDH (Federação Internacional de Direitos Humanos), José Rebello, é preciso compreender o papel dos grandes meios de comunicação na construção ideológica do que significa terrorismo. "Todos sabem o que é o 11 de setembro. Mas e se eu falar em 15 de fevereiro?", questionou. No dia 15 de fevereiro de 2003, explica Rebelo, milhões de pessoas foram às ruas para dizer não à guerra. "Mas só a primeira data marcou".
Segundo ele, esse "sentimento construído" é reflexo do poder da mídia que repete exaustivamente as imagens do atentado e o discurso antiterrorista. "Cada um de nós passou a aceitar esses problemas como se fossem nossos. E todos nós passamos a falar em terrorismo."