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Para a FAO, alta no preço dos alimentos empurrou 70 milhões para a linha da miséria nos últimos 2 anos

Publicado em 20.10.2011 por Maxpress

A alta nos preços dos principais produtos alimentícios registrada nos últimos quatro anos empurrou cerca de 70 milhões de pessoas consideradas pobres para a linha de extrema pobreza, segundo os critérios da FAO Organização Mundial das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. “Essa situação de extrema pobreza é caracterizada por uma condição em que refeições deixam de ser realizadas e há a situação concreta de morte pela fome”, destacou Hélder Muteia, representante da FAO no Brasil durante a terceira edição do Fórum Inovação Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, promovido em São Paulo nesta quinta-feira, dia 20, com o apoio da ABAG Associação Brasileira do Agronegócio e da ANDEF Associação Nacional de Defesa Vegetal, com apoio da FAO.

Ainda de acordo com Muteia, a situação mais crítica na questão da fome é no chamado “chifre da África”, que engloba Somália, Eritréia e parte do Sudão. “Só ali, estão ameaçadas cerca de 12,4 milhões de pessoas”, lembra ele. Em sua palestra ele salientou que a situação tende a se agravar. “A tendência é de os preços agrícolas continuarem subindo, ao mesmo tempo em que a demanda segue em contínuo crescimento”. Nesse sentido, acrescentou, o consumo anual de soja da China, por exemplo, que era de 600 mil toneladas em 1995, saltou para impressionantes 52 milhões de toneladas, no ano passado.

Para atenuar esse quadro, segundo Muteia, a FAO definiu como necessária algumas medidas. “A principal delas, sem dúvida é o combate às desigualdades. A pobreza é a mãe da fome”, diz o representante da FAO no Brasil. As outras iniciativas são: investimento para melhorar o acesso á tecnologia, água e terra por parte dos agricultores, criar uma rede de proteção social e fazer com que as lideranças mundiais abordem a questão da fome como uma prioridade.

Além do representante da FAO, que fez a palestra inaugural do Fórum, também participaram representantes de várias entidades ligadas à agricultura e também a secretária de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Mônika Bergamaschi. Segundo ela, nesse cenário crítico da alimentação no mundo, o Brasil tem a oportunidade de se tornar o grande supridor de alimentos do planeta.

Outros palestrantes do evento, que contou com a presença de 150 pessoas, também enfatizaram as boas perspectivas brasileiras. Lembraram, por exemplo, que o País é hoje o terceiro maior exportador do agronegócio mundial; que a produtividade de grãos e oleaginosas cresceu 147% nos últimos 30 anos, chegando a 159 milhões de toneladas em 2010; e que atualmente o setor responde por 22% do PIB nacional. “Além disso, tivemos um ganho de produtividade expressivo na agricultura. Para se ter uma ideia, hoje produzimos 350% a mais de arroz do que produzíamos em 1975”, lembra Filipe Geraldo de Moraes Teixeira, chefe da Assessoria de Inovação Tecnológica da Embrapa.

Já a nutricionista Joana D´Arc P. Mura chamou a atenção para aspectos relativos a hábitos alimentares nocivos à saúde. Segundo ela, o sedentarismo, o estresse e o consumo excessivo de sal, açúcar e gordura tem sido o grande causador de diversas doenças. “Nós estamos chegando num ponto em que a alimentação errada da mãe tem provocado o registro de doenças coronarianas no feto já no terceiro mês de gestação”, afirmou. Segundo a nutricionista, doenças decorrentes de alimentação inadequada já representam um gasto anual de R$ 1,5 bilhão na conta do SUS.

Segundo Luis Fernando Ceribelli Madi, diretor geral do Ital Instituto de Tecnologia de Alimentos, é necessário adotar em relação à alimentação a mesma estratégia empregada, há muito anos, na questão da valorização da reciclagem. “Hoje as crianças já são um grande multiplicador nas famílias dos conceitos sobre a importância da reciclagem e da sustentabilidade ambiental. E isso foi aprendido nas escolas”, comenta ele.

O Fórum Inovação foi encerrado com uma homenagem a José Graziano da Silva, que toma posse em janeiro no cargo de diretor geral da FAO, sendo o primeiro brasileiro a assumir o posto. Como José Graziano se encontra em viagem ao exterior, o prêmio foi entregue pelos dirigentes da Andef e da Abag a Hélder Muteia, representante do órgão no Brasil, que leu um contundente discurso de agradecimento elaborado por Graziano.

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BRASIL É O ÚNICO PAÍS CAPAZ DE PRODUZIR MAIS ALIMENTO SEM

REDUZIR A PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEL, DIZ EMBRAPA

Com o avanço tecnológico alcançado pelo agronegócio brasileiro nos últimos anos, o País é o único no mundo que tem condições de produzir mais alimentos sem reduzir a produção de biocombustível. A afirmação foi do chefe da Assessoria de Inovação Tecnológica da Embrapa, Filipe Geraldo de Moraes Teixeira, durante o “III Fórum Inovação Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável”, promovido em São Paulo, nesta quinta-feira, dia 20, com o apoio da ABAG Associação Brasileira do Agronegócio e da ANDEF Associação Nacional de Defesa Vegetal.

“Além disso, o Brasil é um dos poucos que soube conciliar a preservação ambiental com a produção agrícola intensiva. Hoje, nossa agricultura ocupa apenas 25% do território e temos conseguido ampliar nossa produção sem aumentar a área plantada, graças aos constantes ganhos de produtividade”, enfatizou Teixeira. Isso tem sido possível graças a diversos instrumentos, como, por exemplo, o plantio direto e recuperação de áreas degradadas. “Nosso agricultor é um dos maiores interessados na preservação, pois disso depende a continuidade de sua atividade”, finalizou o representante da Embrapa.


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