Aproximar a prática literária de adolescentes, por meio da qualificação dos professores da rede pública. Esta é a missão do Projeto Viagem à literatura Infanto-Juvenil, idealizado pelo Instituto de Responsabilidade e Investimento Social (IRIS) em parceria com a Monsanto. Missão esta, entretanto, que ganha força maior quando mostra a que veio: formar sim leitores, mas, principalmente, cidadãos críticos, apreciadores da literatura, com capacidade interpretativa.
A ação combate o modelo de ensino que prega a literatura de forma limitada como mero meio de decodificação das palavras e pretende estimular o prazer pela leitura. São objetivos da ação: incentivar a leitura em sala de aula, diminuir o analfabetismo funcional em que a decodificação de um texto não vem acompanhada pela compreensão do que se lê e colaborar para que os alunos possam desfrutar no ambiente escolar de atividades lúdicas, criativas, reflexivas e dinâmicas a partir da literatura. Com esta proposta, todas terças e quintas-feiras, são feitas atividades junto a professores de ensino básico de escolas públicas de Camaçari, região Metropolitana de Salvador.
A iniciativa já surte resultado: os professores-leitores tornam-se agentes multiplicadores do que aprendem nas oficinas e nos workshops. Alguns deles, inclusive, são acompanhados em sala de aula, para que seja possível perceber como têm aplicado as novas metodologias de ensino, mais voltadas para o que chamamos de arte-educação. Além disso, registra-se uma queda na evasão escolar, um interesse maior dos alunos pela literatura e pelas possibilidades de aprendizado e entretenimento a partir da prática literária e o aumento da demanda de professores para que a ação contemple mais de perto sua atuação.
De acordo com a arte-educadora Cláudia Vega Gonçalves, coordenadora do Projeto Viagem à Literatura Infanto-Juvenil e também capacitadora das oficinas, duas temáticas norteiam a iniciativa, são elas: O gosto pela leitura e A desescolarização da leitura. É importante compreender a literatura enquanto arte e incentivar novas práticas e estratégias junto aos professores, que necessitam ser fisgados pelo prazer da leitura para então estimular os alunos a enxergar o livro como objeto de desejo, afirma.