Enviar

Participação da sociedade no sistema democrático precisa crescer, diz ministro

Publicado em 02.12.2004 por Agência Brasil

Gabriela Guerreiro

Repórter da Agência Brasil


Brasília - Nos últimos 12 meses, mais de um milhão de brasileiros participaram de discussões que resultaram na elaboração de políticas do governo federal, como o Plano Plurianual de Investimentos 2005-2007. A participação da sociedade brasileira no sistema democrático do país, no entanto, ainda precisa crescer e se tornar permanente em todas as esferas de governo. A avaliação foi feita pelo secretário-geral da Presidência da República, ministro Luiz Dulci.

O ministro participou hoje do painel Democracia e Participação Social, realizado dentro da Conferência Internacional Democracia: Prticipação Cidadã e Federalismo, organizada pelo Programa Nacional de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud), em Brasília.

Assim como vários especialistas no tema, Dulci ressaltou que a democracia somente será um sistema efetivo de governo no Brasil se a participação da sociedade se concretizar nas decisões políticas, econômicas e sociais. "O Estado não tem recursos suficientes para enfrentar os problemas. Muitas vezes, a sociedade tem mais recursos. E eu não me refiro a recursos materiais, mas naturais, morais. Então, é fundamental que a sociedade participe. Além da vontade de participar, são imprescindíveis os canais", ressaltou o ministro.

Para a professora Margaret Keck, da Universidade Johns Hopkins (EUA), descentralizar as decisões não significa, necessariamente, garantir a democracia. "Na maior parte dos países, a descentralização fortaleceu o poder dos mais poderosos. Não há nenhum motivo para pensar que a descentralização promete a inclusão dos excluídos. São necessárias muitas condições", disse.

Segundo a professora, a cidadania e a distribuição de renda são as soluções primordiais para garantir que o sistema democrático seja efetivamente aplicado na sociedade brasileira. "No Brasil, ricos e pobres não vivem na mesma nação. Há um 'apartheid' nas cidades. O Brasil sempre foi uma terra rica em contradições, mas não pode ter uma democracia mais profunda sem enfrentar os problemas que cercam o país: a pobreza e a riqueza. Para fazer a democracia, é preciso coragem", enfatizou

Um dos organizadores do Fórum Social Mundial e presidente do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Cândido Grzybowsky também defende o pleno acesso da população às decisões do país como forma de efetivar a democracia. De acordo com Grzybowsky, as elites precisam adotar princípios democráticos que levem a sociedade a se tornar menos desigual. "Justiça social se faz um pagando a conta de outro. Os cidadãos têm que encontrar uma forma maior de participar. Metade da população brasileira não tem voz de cidadania", afirmou.

Para o ministro Luiz Dulci, a consolidação da democracia não vai necessariamente reduzir as diferenças e eliminar o conflito social, mas garantir o amplo debate de idéias no país. "O conflito é constitutivo da vida social. Não só o conflito econômico, porque no Século XXI vimos o retorno de conflitos de outra natureza, como os religiosos. O conflito é sadio se for democraticamente processado, se tiver espaço, canais para que possa ser democraticamente processado. O que é negativo é o confronto, pois aí não há horizonte de processamento. Muitas vezes, o conflito se dá entre diferentes interesses igualmente legítimos", resumiu.

(Gabriela Guerreiro)

Páginas relacionadas

ONG Apoio Fome Zero e Contabilistas Lançam Evento

Publicado em 23.02.2005 por Pauta Social

Capacitação em Direitos Humanos em São Paulo

Publicado em 18.01.2008 por Pauta Social

Presidente do Inesc destaca função estratégica do PPA

Publicado em 07.05.2003 por Agência Brasil

Reprodução do conteúdo

Esta página foi publicada originalmente por Agência Brasil em 02.12.2004 e pode ser reproduzida livremente. Para isso, cite sempre sua fonte original e, se possível, coloque um link para o agregario.com.
Quem SomosPolítica de Privacidade