Brasília, 5 (Agência Brasil - ABr) - Veja a seguir a íntegra da nota divulgada hoje pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, sobre declarações de Luiz Inácio Lula da Silva.
"Em declarações dadas ontem e reproduzidas nos principais jornais do País, o candidato do Partido Trabalhista (PT) Luiz Inácio Lula da Silva perdeu excelente oportunidade de ficar calado para não revelar sua ignorância em termos de políticas educacionais.
Em primeiro lugar, criticou-me direta e nominalmente por 'aplicar um tal de ensino básico continuado'. Ignora o candidato que a Educação básica é responsabilidade de estados e municípios e não do governo federal. Ignora que alguns estados e municípios, não todos, adotaram o esquema de ciclos previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Ignora que pioneiro na introdução da Educação continuada em nosso País foi o PT na administração do município de São Paulo em 1989, inspirado nas idéias do saudoso Paulo Freire.
Ignora, ainda, que as principais administrações petistas continuam a adotar o sistema. E que a progressão continuada, com a qual eu pessoalmente concordo, vem sendo adotada em alguns estados e municípios com resultados positivos em relação ao sistema seriado, como várias pesquisas e testes de alunos comprovam.
Em segundo lugar ele afirmou que 'o Brasil vai precisar de uma pessoa que não tem diploma para consertar a universidade brasileira'. Ignora o candidato que a universidade brasileira, tanto pública como privada, expandiu-se muito durante o governo Fernando Henrique e melhorou, e muito, em termos de qualidade. Isso é válido, especialmente, para o caso das universidades federais. Ignora que as universidades federais têm hoje mais de 33% de alunos na graduação, 95% de alunos no mestrado e 146% de pesquisadores no doutorado do que tinha em 1994.
O candidato ignora, também, que a proporção de doutores no corpo docente passou de 22% para 44% nesse período de governo. Que o salário de um professor doutor, em início de carreira, aumentou 100% em relação a 1994. E que investimos mais de R$ 500 milhões em equipamentos para o ensino. E ignora que as universidades federais respondem por mais de 50% da pós-graduação no Brasil, algo que não ocorria em 1994.
Paulo Renato Souza, ministro da Educação."
(RE)