O fotógrafo David Glat apresenta uma nova visão de algumas das mais conhecidas referências históricas e arquitetônicas da cidade de Salvador (Bahia) na exposição Pérolas Imperfeitas, que será aberta dia 04 de julho, domingo, às 12h. A mostra ficará em cartaz até 29 de agosto, no Espaço Paula Brito, do Museu Afro Brasil. Imagens com movimento, opulência das formas, monumentalidade, efeitos ilusionistas, predomínio da curva, da contracurva e do retorcido, essa são algumas das principais características associadas ao estilo barroco, também presentes na proposta desta exposição. Com essa abordagem visual David Glat apresenta 16 fotografias em grandes dimensões, onde o artista assume esse caráter de desconstrução do espaço institucionalizado, exercitando o barroco através de uma linguagem visual contemporânea.
Ladeiras, portais, fortificações, casario, altares e fachadas de igrejas, estes verdadeiros ícones da paisagem urbana são registrados através de movimentos de câmera e intervenções gestuais, incorporando o conceito de fotografia expandida, (conceituação do Prof. Rubens Fernandes Jr.) que valoriza o processo criativo e o fazer fotográfico, a imagem em expansão e a busca da multiplicidade dos procedimentos, com o propósito de produzir um resultado estético perturbador.
Utilizando uma câmera analógica rotativa e filmes negativos à cores, o fotógrafo lança mão da gestualidade durante o processo de registro das imagens. Com este procedimento pode-se amortecer ou acelerar a velocidade mecânica do equipamento, criando distorções, alongamentos, achatamentos, ondulações, segmentações, sinuosidades, abstrações e combinações variadas destes "efeitos.
De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, este é o sentido da palavra Barroco: palavra de origem controversa, é tida como pré-romana e do acervo primitivo ibérico; foi usada, no português, para denotar pérola de superfície irregular ou pérola de formato anômalo, sentido que passou ao francês, onde adquiriu acepção específica ligada às artes, que se irradiou às demais línguas.
A leitura poética das Pérolas Imperfeitas
Ver o mesmo objeto por um outro viés, desalienar o objeto, ampliando o seu rotulado caráter turístico e ampliando os seus significantes. Quando o artista retorce o mar em frente ao Forte de Santa Maria, por exemplo, cria uma imagem que já é poesia além da própria poesia que a natureza já é por si. A força da fotografia atua aqui, expandindo a realidade. Realidade e distorção desta realidade entram em conflito para se produzir uma nova síntese, uma nova cidade barroca dentro da velha cidade. É bom ver as pessoas olhando os lugares já tão conhecidos e tirando tantas outras novas interpretações. Isso amplia os modos de ver, e nos coloca novamente num estado de contemplação. O estado da poesia é o da contemplação. E precisamos de um público de fotografia que novamente se renda à contemplação. E consiga se deixar divagar diante de novas imagens, como estas, de paisagens já tão conhecidas, apesar da banalização, da saturação e do verdadeiro bombardeio fotográfico produzido nos nossos dias, afirma Adelice Souza autora do texto poético da exposição.
O fotografo David Glat
Carioca de nascimento, desde 1976 David Glat reside em Salvador, onde se dedica às artes visuais - fotografia e foto-instalações. Como fotógrafo publicitário e designer, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais.
Como fotógrafo autoral, entre 1978 e 2009 participou de diversas exposições:
Exposições coletivas:
Salão Fotobahia (de 1978 a 1984) no foyer do Teatro Castro Alves (TCA) e no
Museu de Arte da Bahia (MAB)
1º Salão de Arte do MAM-BA (1993) no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA)
Mostras da Fotografia Contemporânea Baiana (1995 e 1996) no MAM-BA
450 Motivos Para Amar Salvador (1999) no Instituto Geográfico da Bahia
A História da Fotografia na Bahia (2006) no MAM-BA
13º Salão de Arte do MAM-BA (2006)
O Sensível Contemporâneo (2009) na Escola de Belas Artes da UFBA
Exposição 2.234(2009) no Casarão de Santo Antônio Além do Carmo
Exposições individuais:
Soterurbanoramas (2003) no foyer do TCA, durante o V Mercado Cultural
Torta Xadrez II (2006) na Galeria do Conselho de Cultura do Estado da Bahia
Pérolas Imperfeitas (2009) no MAM-BA e junho de 2010 no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura de Fortaleza-CE
Depois da exposição no Museu Afro Brasil, e ainda em 2010, Pérolas Imperfeitas passará por outras 3 capitais brasileiras. David Glat desenvolve atualmente cinco projetos: Urbanoramas com curadoria de Rubens Fernandes Jr, Urbanidades em parceria com a artista plástica Maria Adair; Tortas Panorâmicas a continuação do projeto iniciado com a Torta Xadrez - A Feira de Feira da Feira, com curadoria de Justino Marinho e Domingo com Holga no Porto da Barra, em parceria com o fotógrafo Márcio Lima.
Pautas da exposição:
A exposição foi inaugurada em novembro de 2009, no Museu de Arte Moderna da Bahia. Este ano a exposição também foi apresentada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, de Fortaleza-CE. Ainda no 2º semestre de 2010, será exibida em Recife, no Museu do Estado de Pernambuco, em João Pessoa, na Galeria Archidy Picado, da Fundação Cultural do Estado e em Maceió, no Museu da Arte Brasileira da Fundação Pierre Chalita. Para 2011 estão previstas exposições no Rio de Janeiro, Curitiba, São Luís, Brasília, Buenos Aires e Lisboa.
Serviço
Exposição Pérolas Imperfeitas de David Glat
Museu Afro Brasil - Espaço Espaço Paula Brito.
Abertura: 04 de julho, às 12 horas ( até 29 de agosto)
Entrada franca.
Sobre o Museu Afro Brasil
O Museu Afro Brasil Organização Social de Cultura, vinculado à Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, é um espaço de preservação e celebração da cultura, memória e da história do Brasil na perspectiva negro africana, assim como na difusão das artes clássicas e contemporâneas, populares e eruditas, nacionais e internacionais.
Localizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, foi inaugurado em 23 de outubro de 2004 e possui um acervo de mais de cinco mil obras. Parte das obras, cerca de duas mil, foram doadas pelo artista plástico e curador,
Emanoel Araujo, idealizador e atual Diretor Curador do Museu. A biblioteca do museu, cujo nome homenageia a escritora, Carolina Maria de Jesus, possui cerca de 6.800 publicações com especial destaque em uma coleção de obras raras sobre o tema do Tráfico Atlântico e Abolição da Escravatura no Brasil, América Latina, Caribe e Estados Unidos. A presença negra africana nas artes, na vida cotidiana, na religiosidade, nas instituições sociais são temas presentes na biblioteca.
O museu mantém um sistema de visitação gratuita para todas as exposições e atividades que oferece; um Núcleo de Educação com profissionais que recebem grupos pré-agendados, instituições diversas, além de escolas públicas e particulares. Através do Núcleo de Educação também
mantém o programa Singular Plural: Educação Inclusiva e Acessibilidade, atendendo exclusivamente pessoas com necessidades especiais e promovendo a interação deste público com as atividades oferecidas.
Serviço:
Diretor curador: Emanoel Araujo
Diretor executivo: Luiz Henrique Marcon Neves
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº
Parque Ibirapuera- Portão 10
São Paulo- SP - Brasil
CEP: 040094-050
Fone: 55 11 5579 0593
www.museuafrobrasil.com.br
Funcionamento: de terça a domingo, das 10 às 17 horas (permanência até às 18h)
Estacionamento: Portão 3 Zona Azul
Entrada: Grátis
Para agendar visitas: agendamento@museuafrobrasil.com.br