Levantamento realizado pelo Instituto de Prevenção e Pesquisa em Álcool e outras Dependências (Ippad) entre alunos do programa Cidadania e Talento.com desenvolvido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE-RS), em parceria com a Câmara Americana de Comércio (AMCHAM), mostra que os jovens desconhecem o efeito do uso de drogas. A pesquisa foi feita com 90 participantes do programa no centro de capacitação.
A prevenção ao uso de drogas é um dos módulos do programa de 140 horas voltado à capacitação de estudantes de baixa renda do ensino médio na área de informática, cidadania e preparação para o trabalho, em uma dinâmica de desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes para facilitar a inclusão no mercado de trabalho por meio de estágios remunerados.
Segundo a presidente do Ippad, Gilda Pulcherio, a pesquisa teve como objetivo a avaliação de conhecimentos do grupo sobre a questão das drogas. As perguntas foram respondidas por 90 alunos presentes no pré e no pós-teste nos anos de 2005 e 2006. A divulgação dos dados é um alerta no Dia Internacional de Combate às Drogas, 26 de junho.
"Foi a primeira edição da pesquisa e o que mostrou é o desconhecimento científico dos alunos sobre drogas, comenta. Ela explica que na fase de pré-teste os alunos responderam, por exemplo, que maconha faz menos mal que o cigarro, enquanto no pós-teste a imensa maioria já responde corretamente.
Gilda enfatiza que a literatura aponta que quanto mais tarde uma pessoa tiver contato com uma substância psicoativa (SPA), menor a chance de vir a abusar ou se tornar dependente química. O trabalho realizado com os alunos do programa aponta, também, que os jovens referem o conhecimento sobre as conseqüências das drogas como uma das principais razões para o Não Uso.
Em parceria com o CIEE-RS, o Ippad oferece há três anos informação científica aos alunos do ensino médio cadastrados no Cidadania e Talento.com. Aos alunos é oferecida a oportunidade do aprendizado sobre a questão das drogas com o objetivo de desenvolver habilidades para o enfrentamento desta questão em suas vidas, acrescenta.
O gerente de relações institucionais do CIEE-RS, Cláudio Bins, informa que o projeto é desenvolvido com turmas de alunos de nível médio de escolas públicas de Porto Alegre, a cada dois meses, em módulos, nos quais se insere a prevenção ao uso indevido de drogas.
Enquanto no pré-teste 32% dos alunos consideraram que é verdadeira a afirmativa que a maconha faz menos mal que o cigarro, no pós-teste apenas 7% deram a mesma resposta. Enquanto no pré-teste 13,8% dos alunos relatam que é falsa a afirmativa que fumante passivo é aquele que está próximo de quem está fumando e acaba inalando a fumaça como se fosse fumante, no pós-teste apenas 1,5% responde que é falsa.
A presidente do Ippad afirma que desde que as pessoas tomam conhecimento da existência de substâncias psicoativas como o álcool, o tabaco, maconha e outras, existem diversos momentos possíveis para uma intervenção educacional e preventiva, como a prevenção da experimentação, do uso regular, do abuso ou da dependência. A informação sobre as conseqüências do uso de drogas deveria ser uma rotina para nossas crianças e adolescentes, enfatiza.