A crise mundial deu início ao debate O Poder Público Induzindo a Gestão Socialmente Responsável, com Francisco Gaetani, secretário executivo adjunto do Ministério do Planejamento, e Philippe Vasseur, presidente do Fórum Mundial de Lille por uma Economia Responsável. O encontro, parte da programação da Conferência Internacional do Instituto Ethos, foi moderado por Carlos Lopes, diretor executivo do United Nations Institute for Training and Research (Unitar).
Para Gaetani, o processo de consolidação do Estado brasileiro ainda não se consolidou, tanto que as áreas melhor estruturadas são as relacionadas ao Ministério da Fazenda, às Forças Armadas e à Advocacia Geral da União, entre outros, no lugar das que beneficiam diretamente o cidadão. Ele critica a judicialização das políticas públicas, já que o Judiciário adota uma postura de controle da sociedade e gera um embate de mentalidades.
O secretário do Ministério do Planejamento disse que a participação social ainda é vista como um problema no Brasil. Ele reclama que o governo federal realizou cerca de 60 conferências sobre políticas públicas que não foram citadas pela imprensa.
Vasseur, que se declara um entusiasta do dinamismo da economia brasileira, contou que a lei francesa obriga as empresas com mais de 20 funcionários a contratar 6% de funcionários com deficiência, mas nem o próprio governo a respeita. Cerca de 28% das empresas não têm nenhum funcionário com deficiência.
Devido a problemas relacionados a preconceito de origem (inclusive contra cidadãos franceses nascidos no continente africano), foi votado mas ainda não regulamentado um projeto que institui que as empresas só poderão receber currículos anônimos, sem foto ou nome. Os negros têm sete vezes mais dificuldade para encontrar emprego na França.
Por outro lado, empresas francesas estão adotando voluntariamente a etiqueta ambiental, que vai no rótulo dos produtos com informações sobre manufatura destes. Vasseur conclui citando Antoine de Saint-Exupéry: Cada um é responsável por todos.