Enviar

Políticas sociais devem mudar para garantir proteção após a crise, diz sociólogo francês

Publicado em 30.04.2009 por Agência Brasil

Brasília - A crise econômica mundial tem graves repercussões no mundo do trabalho e no estado de bem-estar social, que tem seus meios de financiamento na remuneração salarial do capitalismo industrial, conforme as bases assentadas na Europa Ocidental após a Segunda Guerra Mundial. Segundo o sociólogo Robert Castel, professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, o abalo exigirá um desenho de políticas públicas flexíveis que viabilizem a proteção social, mesmo sob condições adversas causadas pela recessão mundial.

Robert Castel fez palestra ontem (30), na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília, sobre o tema Crise da Modernidade Organizada. Para ele, o mundo em especial, a Europa Ocidental atravessa “um aumento de incertezas”, de “insegurança generalizada”, e de “medo do futuro”. “Vivemos um dia de cada vez, como estivéssemos no Século 19”, afirmou o sociólogo.

Ele disse que o futuro está aberto, porque o equilíbrio que havia no cenário europeu entre os interesses do capital e do trabalho, mediados pela presença forte de um Estado protetor, foi desestabilizado ao longo dos últimos 30 anos. As novas formas de contratação de trabalhadores ameaçam o financiamento das políticas de segurança social a tal ponto que o sociólogo não descarta uma “homogeneização por baixo” das formas de assistência em todo o planeta.

Como exemplos de risco de homogenização por baixo, Castel citou a informalidade, a degradação do emprego e o desemprego em massa que, segundo ele, já se verifica na França. Ele disse que, na França, 70% das novas contratações já são “atípicas” e “precárias”, referindo-se, por exemplo, à diminuição da jornada de trabalho com queda da remuneração, à terceirização, aos contratos provisórios e à individualização das atividades de trabalho.

Para Castel, o problema da "precarização" das relações de trabalho é que as políticas sociais foram desenhadas para ter seu financiamento baseado na remuneração dos trabalhadores, agora sob risco. “São poucos [trabalhadores] se cotizando e é crescente o número de pessoas que não podem ser protegidas porque não trabalham ou porque têm trabalho precário.”

Autor dos livros A Discriminação Negativa (2008), As Metamorfoses da Questão Social (2002), Desigualdade e Questão Social (2000), Robert Castel afirma que a crise começou no final dos anos 70, com o início da desregulamentação da economia. “Essa crise foi preparada”, disse ele, ao ponderar que o mundo hoje os efeitos do fato de o “mercado ter sido deixado a ele mesmo”.

O sociólogo entende que o “mercado auto-regulado” retira proteções. “Não podemos nos enganar com o capitalismo”, alerta ,ao dizer que a proteção social em países democráticos deve ser tratada incondicionalmente “na ordem do direito, e não da filantropia”. Para ele, a alternativa seria a construção de políticas que, além de garantir renda mínima, gerem “uma solidariedade ativa” e a “volta das pessoas ao mercado de trabalho”.

Páginas relacionadas

Rede Andi Apóia Evento sobre Trabalho Social com Famílias

Publicado em 13.08.2008 por Pauta Social

Grife Refazer Agora no Fashion Mall

Publicado em 19.03.2009 por Pauta Social

Construção da Agenda Social e as Políticas de Financiamento

Publicado em 08.11.2004 por Pauta Social

Aberta Inscrições para o Curso Trabalho Social no Rio

Publicado em 08.02.2012 por Pauta Social

Senado Debate Políticas Públicas para Primeira Infância

Publicado em 28.11.2007 por Pauta Social

Reprodução do conteúdo

Esta página foi publicada originalmente por Agência Brasil em 30.04.2009 e pode ser reproduzida livremente. Para isso, cite sempre sua fonte original e, se possível, coloque um link para o agregario.com.
Quem SomosPolítica de Privacidade