São Paulo, 15/6/2004 (Agência Brasil - ABr) - Para tornar pequenas e médias empresas de países em desenvolvimento produtivas e competitivas no ambiente globalizado é preciso criar clusters ou pólos industriais voltados à exportação. Essa foi a conclusão do debate "Preparando Capacidade Produtiva A chave para se beneficiar com a globalização", realizado hoje na 11ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad XI).
Segundo Michael Porter, professor da Harvard Business School, essa nova forma de pensar o desenvolvimento dos países focaliza pequenas áreas de exploração em que as empresas de pequeno e médio porte são responsáveis por sustentar as exportações de uma grande empresa capaz de conquistar o mercado externo.
"O desenvolvimento das empresas voltadas para o mercado internacional está condicionado à eficiência das empresas locais. Não adianta construir um grande complexo hoteleiro se o serviço de táxi não funciona", exemplifica. "Desenvolver empresas significa desenvolver os clusters, significa focar grupo por grupo".
Para o secretário-geral da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD), Donald Johnston, os clusters tornaram-se a resposta para o desenvolvimento dos países mais pobres. Casos como o do Japão, China, Brasil e Índia foram citados como exemplos de que essa iniciativa de investir em setores estratégicos dá certo.
No entanto, Johnston lembrou que as políticas adotadas por esses países dependem de ações do governo que garantam às pequenas empresas condições de se desenvolver de maneira sustentável. Isto significa garantir transporte público eficiente, redes de comunicação que facilitem a atuação de clusters em áreas remotas, acesso ao crédito, legislação adequada e tecnologia.
"Somente uma atuação conjunta pode levar o país ao mercado exterior", disse A. Kyerematen, ministro de Comércio de Gana, na África.
(Fabiana Uchinaka)