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Praça São Francisco é o mais novo sítio brasileiro a ser considerado Patrimônio Cultural Mundial

Publicado em 07.07.2011 por Maxpress

A inclusão da Praça de São Francisco é uma vitória da população de São Cristóvão pela proteção e preservação de nosso patrimônio e representa um reconhecimento à singularidade da formação do acervo cultural brasileiro”, ressaltou o presidente do Comitê do Patrimônio Mundial e ministro da Cultura Juca Ferreira, durante a coletiva de imprensa realizada no início da noite deste domingo (1/08).

Não foi necessária votação para que a Praça São Francisco, localizada na cidade de São Cristovão, em Sergipe, fosse aprovada como Patrimônio Mundial da Unesco. Apesar da prévia manifestação contrária do ICOMOS Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios, de 21 possíveis, foram 16 as manifestações favoráveis dos EstadosPartes para o resultado alcançado.

O órgão consultivo posicionou-se contrário à decisão, sob a alegação de que a delegação brasileira deveria reapresentar sua proposta adicionando argumentos para comprovar o valor universal excepcional da Praça São Francisco. Além disso, ele recomendava a ampliação do perímetro apresentado do sítio.

A defesa apresentada pelo presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Iphan, Luiz Fernando de Almeida, argumentava que os limites propostos para a delimitação do bem correspondem ao valor universal excepcional e que esse espaço urbano é a melhor representação no Brasil do período da União Ibérica, no Século XVI, quando Portugal e Espanha eram uma só coroa. “A Praça de São Francisco é exemplo único daquele momento histórico”, afirmou Luiz Fernando, destacando ainda o contexto natural exuberante e preservado que confere à Praça uma paisagem construída singular.

Juca Ferreira ressaltou ainda a qualidade do relatório produzido pelo Iphan “Parabenizo o Iphan por ter assumido um verdadeiro embate com o ICOMOS. A defesa apresentada foi extremamente representativa não apenas para a aprovação de São Cristóvão, mas para os esforços que temos realizado dentro do Comitê do Patrimônio Mundial no sentido de tornar os parâmetros de avaliação da UNESCO mais generosos e abrangentes, menos etnocêntricos e eurocêntricos”, concluiu o presidente.

O documento apresentado pelo Iphan ao Comitê apontou que o Conjunto Arquitetônico da Praça, em que está erigido o Convento de São Francisco, é um dos mais expressivos remanescentes entre os que foram edificados pela Ordem Franciscana no Brasil Colônia. Possui uma composição dinâmica própria em função da monumentalidade do adro e do cruzeiro e da ruptura com a idéia de equilíbrio e simetria comuns a outros conventos franciscanos, sendo que a Praça remete claramente às disposições da Lei IX das Ordenações Filipinas; o que a torna única no processo de ocupação do território brasileiro.

Com relação à justificativa para a valoração da Praça São Francisco, o documento se apoiou na própria Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco em seus critérios II e IV, ressaltando que o monumento é testemunha de um intercâmbio de valores e também é exemplo representativo de construção que ilustra um período significativo da história humana. Além disso, o documento assinalou que a Praça São Francisco é a prova da fusão das influências das legislações e práticas urbanísticas espanholas e portuguesas na formação de núcleos urbanos coloniais. Desta forma, a autenticidade da Praça São Francisco está explícita em seu desenho, entorno, técnicas, uso, função, contexto histórico e cultural.

A história

São Cristóvão é uma das mais antigas cidades do país e foi a primeira capital de Sergipe, fundada em janeiro de 1590, no contexto da Dinastia Filipina em Portugal. Os principais monumentos, na Cidade Alta, são cerca de 10 prédios em torno da praça que abriga também a Igreja e o Convento de São Francisco. A construção teve início em 1693 a partir das doações da comunidade aos franciscanos. Quando a cidade era a capital da Província, o convento abrigou a Assembléia Provincial e o salão da Ordem Terceira era ocupado pela Tesouraria Geral da Província. Já na República, São Cristóvão também aquartelou as tropas do batalhão que combateu os seguidores de Antônio Conselheiro, em Canudos, em 1897.

A cidade foi tombada pelo Iphan em 23 de janeiro de 1967. O Instituto adquiriu e restaurou um dos sobrados da praça onde, atualmente, mantém um escritório técnico e exposições culturais. O Museu de Arte Sacra também fica no complexo histórico e abriga um acervo considerado o terceiro mais importante do país. Existe ainda o Museu de Sergipe composto por peças que pertenceram às famílias nobres da região.

Página oficial

http://www.34whc.brasilia2010.gov.br/

Serviço

34ª. Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO

De 25/07 a 03/08

Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada

Brasília DF

 

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