Estudo retrata quanto o valor pago pela refeição fora de casa e os hábitos do trabalhador influenciam na escolha dos itens que vão ao prato na hora do almoço
Fevereiro de 2012 - A pausa para a refeição do trabalhador brasileiro acontece, predominantemente, fora do lar. Fatores como problemas de mobilidade urbana, alterações no perfil das famílias, presença crescente da mulher no mercado de trabalho e a expansão do emprego e da renda contribuem para este cenário. Entre outros pontos, a escassez de tempo tornou a escolha por uma alimentação saudável um desafio diário, é o que revela estudo encomendado pela Assert (Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convenio para o Trabalhador) sobre hábitos do trabalhador na hora do almoço.
“Como entidade representativa do setor, comemoramos nossos 30 anos de atuação ampliando este estudo, que está em sua 9ª edição”, diz Artur Almeida, presidente da Assert. “A intenção é ir além do preço, mostrando os fatores que influenciam a escolha pelos alimentos que compõem o prato no dia a dia. Entre os critérios adotados, destaco o fato dos cerca de 4 mil estabelecimentos entrevistados aceitarem cartões e vouchers de diversas empresas do setor”, completa.
Neste contexto, em que o item alimentação fora do lar retém mais de 30% do orçamento familiar*, o segmento de restaurantes, bares, lanchonetes e refeições coletivas investiu em infraestrutura para atender a demanda de mercado, rendendo crescimento superior a 15% no último ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (ABIA). Nossa pesquisa aponta que mais de 80% dos estabelecimentos atribuem o sucesso dos negócios ao fluxo de pessoas gerado também pelo benefício-refeição.
Nas modalidades alimentação e refeição-convênio, amparado pelo Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) há 35 anos, o benefício também figura com relevância para o trabalhador, pois mais da metade dos entrevistados sugeriu que se o repasse fosse feito em dinheiro, optaria por trazer refeições de casa ou utilizaria parte do valor para outros fins. “O PAT institui desde 1976 o beneficio alimentação com base em parâmetros nutricionais. Hoje, o Programa garante a mais de 14 milhões de trabalhadores o acesso a uma refeição saudável, sendo 80% deste contingente brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos”, ressalta o executivo.
Preços e Hábitos
A pesquisa preparada pelo Instituto Analise especialmente para a Assert levou em conta a refeição composta por prato principal, sobremesa, bebida não alcoólica e o tradicional cafezinho em refeições do tipo Prato Feito (Comercial), Self-Service (Quilo/Preço Fixo), Executivo e “a La Carte”, indicando que:
Já os itens que vão à mesa variam de acordo com a localidade, quando as influências regionais e culturais brasileiras se afirmam. Arroz e feijão seguem como preferência nacional e a ingestão diária de frutas, legumes e verduras está abaixo dos níveis recomendados pelo Ministério da Saúde (400g) para mais de 90% da população**. A necessidade de atenção para o consumo de frutas, verduras, legumes é evidenciada em todas as regiões, além do aumento de ingestão de alimentos pouco nutrientes e com muitas calorias.
Convidada pela Assert para comentar dados da pesquisa, Telma Anunciato, nutricionista do Instituto Nutra e Viva, comenta: “Estudos que levem em conta a forma como o trabalhador gasta o valor da refeição-convenio são importantes neste momento em que o País enfrenta um quadro de obesidade e doenças relacionadas ao excesso de peso, que demandam do governo e dos segmentos envolvidos ações efetivas para a melhoria do padrão alimentar da população”.
Neste cenário, a profissional reforça ainda: “mantém-se a recomendação da refeição equilibrada composta por cereal, grãos, carne magra ou ovos e porções generosas de legumes e verduras. O trabalhador deve conhecer a sua necessidade energética para que consuma a quantidade adequada e seja orientado a escolher restaurantes que ofereçam cardápios equilibrados, preparados de forma saudável, isto é, sobretudo sem excessos no uso das gorduras e do sal.” “Um dos objetivos do estudo é despertar a necessidade de repensar as questões que envolvem alimentação e consequentemente a qualidade de vida”, enfatiza Artur.
Beneficio e Saúde
No universo da alimentação fora do lar, o beneficio (refeição-convênio), seja no formato cartão ou voucher, substitui o pagamento em dinheiro e inibe o gasto dos créditos para outra finalidade. Ou seja, o trabalhador tem liberdade de escolha do estabelecimento ou tipo de alimento que consumirá.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, empresas que adotam este modelo têm, entre outras vantagens, aumento de produtividade; maior integração com o trabalhador; redução do absenteísmo (atrasos e faltas), menor rotatividade; isenção de encargos sociais sobre o valor da alimentação fornecida; incentivo fiscal. “Sem mencionar a questão da interação social que a pausa para o almoço proporciona”, comenta Almeida.
“Esperamos que esta fotografia do comportamento do trabalhador brasileiro e informações do quanto ele paga em média por uma refeição seja um despertar de consciência e estímulo à adoção de boas práticas de educação alimentar, seja como referência para a adequação do valor de beneficio repassado ou para reflexão para todos que atuam no âmbito do PAT”, finaliza.