Brasília, 26/1/2003 (Agência Brasil - ABr) - Estimular o desenvolvimento do turismo de negócios e eventos no Brasil, que, desde 1996, tem crescido entre 6% a 7%, é uma das prioridades do novo presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), Eduardo Sanovicz. "Nós vamos trabalhar o novo segmento que vem se afirmando no mercado, mas que agora encontra uma tradução institucional de ação positiva no sentido da sua comercialização, promoção e marketing", explicou Sanovicz, em entrevista ao programa NBR Manhã - TV a cabo da Radiobras. Ele acrescentou que essa prioridade estará aliada ao crescimento do tradicional turismo de lazer, que aproveita os atrativos naturais.
Sanovicz diz que esses dois segmentos são o caminho tanto para ampliar o peso do turismo no mercado interno, quanto para aumentar a participação do Brasil no "bolo global do turismo mundial". O presidente da Embratur lembrou que, nesse contexto, a alta do dólar favorece a vinda de turistas estrangeiros para o país, porque, muitas vezes, sai mais barato visitar cidades brasileiras que de outros países. "Essa alta do dólar é perversa numa série de coisas cotidianas do brasileiro.
No que diz respeito ao turismo, ela também nos causa alguns problemas, mas, por outro lado, faz com que o produto brasileiro no mercado internacional passe a ser mais competitivo", observou, acrescentando que também trabalhará para desvincular do Brasil a imagem pejorativa, associada ao turismo sexual, que muitos visitantes de outras nacionalidades têm do país.
Para atingir esse objetivo Sanovicz explica que um dos meios é chamar a atenção do estrangeiro para o que ele considera o melhor produto brasileiro, capaz de inserir o país no mercado internacional: a produção cultural, com toda sua qualidade e diversidade. E lembrou que esse conjunto engloba desde a música e a gastronomia, passando pelo vestuário, o artesanato, a arquitetura e a história, entre outras manifestações culturais.
Essas características, explica Sanovicz, representam o grande diferencial entre o Brasil e outros países que também possuem belezas naturais. "O Caribe, por exemplo, está a algumas horas de viagem mais perto do norte do mundo que o Brasil. É o destino que, nessa linha, compete com o nosso país e ganha a competição", avaliou, ao defender a exploração das características peculiares nacionais. "Nós temos que nos diferenciar, e não disputar na mesma linha", concluiu.
O fortalecimento do turismo interno também está nos planos do presidente da Embratur. Para ele, o sentimento nacionalista, intensificado pelo novo governo, está contribuindo para conquistar o turista brasileiro. "As pessoas estão mais orgulhosas do próprio país. Se está tão orgulhoso do seu país, venha conhecê-lo. Ele vale a pena ser conhecido", acrescentou, lembrando que não é só o litoral que tem atrativos, mas também o interior brasileiro, como o Pantanal.
Sanovicz informou que para desenvolver a infra-estrutura das cidades com o objetivo de atrair investimentos no turismo local, serão destinados recursos da ordem de US$ 240 milhões à execução da segunda fase do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste Prodetur NE II. Segundo ele, o Prodetur Centro está sendo articulado pela equipe do Ministério do Turismo.
(Juliana Andrade)