O presidente da ONG Brasil Sem Grades, Luiz Fernando Oderich, encaminhou uma carta a senadores, deputados federais e estaduais na última semana. O objetivo é questionar até quando a sociedade terá que aguardar por uma mudança efetiva na legislação para o combate à violência.
A ONG Brasil Sem Grades atua na mobilização de pessoas com dois focos principais: planejamento familiar e paternidade responsável. A entidade tem como missão despertar a consciência da população brasileira por meio do desenvolvimento social e de ações voltadas para o combate às causas da criminalidade. A entidade surgiu em Porto Alegre, em 2002, por iniciativa do empresário da área da siderurgia, Luiz Fernando Oderich, após perder seu filho assassinado friamente num assalto. A ONG trabalha ativamente em relação a um fator determinante hoje na formação de jovens delinqüentes: a figura do pai ausente. Segue a carta.
Prezado(a) Deputado(a)/Senador(a);
Em breve seremos tomados pelo espírito festivo das comemorações natalinas e da celebração de um novo ano. Iniciaremos 2008 com a esperança de uma nova era de prosperidade. Mas é possível esquecer a vida de alguém que partiu por um ato de violência?
Em fevereiro, um fato trágico acendeu o debate sobre a mudança de leis que regem este país. Foi preciso que o menino João Hélio Fernandes, de apenas seis anos, fosse arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro para que os governantes e a população voltassem sua atenção para um problema que, até então, nunca combatemos, mas que aprendemos a conviver a impunidade.
Projetos, estagnados na pauta de votação do Congresso Nacional há anos, tentaram sair do papel, quando ouvimos que aquele não seria o momento ideal para isso, face à comoção geral.
Desde então nada foi feito. Tanto que, passados alguns meses, a mesma ação criminosa que vitimou João Hélio quase se repetiu no Rio Grande do Sul. A sorte é que a mãe das crianças conseguiu desafivelar o cinto de segurança a tempo. Acompanhamos o caso da adolescente Priscila, que com 13 anos foi atingida por uma bala perdida em meio a um tiroteio entre policiais e bandidos, deixando-a paraplégica. E nada foi feito.
Assistimos pelo noticiário o assassinato da estudante de educação física no Paraná, violentada e morta por três adolescentes, acusados pela justiça de abuso sexual, latrocínio e ocultação de cadáver. Eles vão passar três anos em um educandário, que é o tempo máximo previsto no estatuto da criança e do adolescente. Perguntamos: - só?
E quando achamos que a violência é o resultado da má distribuição de renda no país, assistimos pela TV, chocados, jovens de classe média alta cometendo atrocidades contra uma empregada doméstica, por diversão. E não foi um caso isolado. Recentemente, um outro grupo de jovens agrediu uma prostituta com extintor de incêndio.
Estes são poucos, dos muitos fatos que marcaram 2007. Nós, da ONG Brasil Sem Grades, assim como milhões de brasileiros que se sentiram tocados pelos acontecimentos, não nos esquecemos de tudo que ocorreu neste ano.
O que queremos saber é: até quando viveremos neste cenário de descaso? Até quando continuaremos conformados com esta situação, sem que haja uma mobilização efetiva de quem nos representa? Até quando esperaremos uma mudança efetiva na legislação brasileira, de modo que os criminosos sejam devidamente punidos? Até quando a nossa esperança deixará de ser uma utopia para se tornar uma realidade concreta?
O período de comoção passou. A dor de quem perdeu entes queridos não passará jamais. Não queremos que as ações políticas passem por nós como uma palavra dita ao vento. Por isso estamos reivindicando uma mobilização maior, para que não aconteça com outr