Brasília, 6/7/2004 (Agência Brasil - ABr) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que, se dependesse dele, tudo seria resolvido por acordo no Brasil. "É que, de vez em quando, tem eleição, e os acordos ficam mais difíceis, porque as pessoas depositam todo seu interesse num período muito curto de eleição e isso, às vezes, atrasa", disse o presidente. Apesar disso, Lula ressaltou que ainda acredita que todas as pendências podem ser resolvidas se as pessoas se sentarem a uma mesa para dialogar.
Durante a solenidade em comemoração ao Dia Internacional do Cooperativismo, na sede da Organização das Cooperativas Brasileiras, em Brasília, o presidente disse que não medirá esforços para realizar todas as mudanças que precisam ser feitas na estrutura legal do país para incentivar o desenvolvimento das cooperativas. Ele afirmou, porém, que as coisas não andam tão rápido como ele gostaria.
"Muitas vezes, você manda um projeto de lei para o Congresso Nacional imaginando que ele vai ser aprovado em dois meses. Acontece que, como o Congresso é a representação da estrutura democrática da nossa sociedade, aparece alguém lá e resolve fazer uma emenda em alguma coisa e aquilo demora mais do que o tempo necessário. Mas isso faz parte do jogo e a gente não pode ficar reclamando", disse.
Uma comissão interministerial, segundo Lula, já apresentou suas conclusões voltadas para a edição de uma nova lei de cooperativas. O presidente garantiu que o governo irá trabalhar para sua rápida aprovação do Congresso. Um aspecto destacado por Lula, e que deverá ser definido nesta lei, é o tratamento tributário das atividades do setor e as regras para o bom funcionamento das cooperativas de trabalho.
De acordo com o presidente, o governo representa um conjunto de interesses da sociedade. Lula disse que é preciso trabalhar para que todos os setores sejam atendidos. "Tem sempre aquele cabo de guerra, tem sempre um lado puxando para um lado. E qual é o nosso papel? É o do equilíbrio, de não permitir que um lado derrube o outro. Nós queremos que todos os lados, da forma mais justa possível, permaneçam em pé, fazendo um bom combate. É assim que nós queremos que esse país se organize, e acho que nós estamos conseguindo", afirmou.
O presidente considera o aumento do número de cooperativas no Brasil uma saída para os pequenos produtores, que têm dificuldades em competir com a agricultura comercial. "É preciso incutir na cabeça do pequeno produtor a idéia de que, se ele se organizar, vai ser muito mais fácil. Um sozinho não consegue comprar uma máquina, mas 100 juntos podem comprar até duas", afirmou.
O presidente disse que é preciso difundir a idéia das cooperativas para um número maior de pessoas e sugeriu a criação de campanhas publicitárias de esclarecimento à população. "Ninguém vai fazer se não conhecer. É preciso levar as experiências bem sucedidas. Eu sou sempre chegado a que a gente consiga difundir as coisas que dão certo. As coisas que não dão certo não vai faltar quem divulgue. Muitas vezes a gente faz uma coisa maravilhosa, com resultados extraordinários, e ninguém sabe. Uma pisada na bola que alguém der aí ganha manchete internacional", disse.
Lula disse que o governo quer a parceria do cooperativismo tanto na área rural, para fortalecer o mercado interno, melhorar as exportações e aumentar a renda do pequeno produtor, quanto na área urbana, em que as cooperativas têm demonstrado sinais extraordinários de inclusão social. "Não haverá sacrifício que não mereça ser superado para que a gente tenha esse país transformado em uma grande cooperativa", afirmou.
O presidente lembrou que uma das primeiras ações de seu governo na área de crédito foi pedir ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que junto ao Banco Central estudasse todas as medidas que permitissem o crescimento das cooperativas de crédito e dos bancos cooperativos. "Em pouco tempo autorizamos a criação de cooperativas abertas de crédito que estavam vetadas pelo Banco Central desde 1999", revelou.
Lula aproveitou o discurso para elogiar o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O presidente afirmou que não conhecia o ministro até que ele participou de uma reunião durante a campanha eleitoral. Após a eleição, o assessor especial de Lula, José Graziano, sugeriu que Rodrigues fosse o ministro da Agricultura. "Quando você monta um governo você não cria um grupo de amigos, quem tentar criar no governo um grupo de amigos está fadado ao insucesso", afirmou.
(Paula Medeiros)