Uma ONG criada com um objetivo diferente: capacitar e fortalecer microempreendimentos populares e outras ONGs. Assim é a Pró-Social, lançada há um ano no Rio de Janeiro pela consultora e professora de administração de empresas da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) Silvina Ramal e pela educadora Andrea Ramal. O objetivo da Pró-Social é dar formação técnica, consultoria e incentivar a formação de redes de empreendedores, com a ajuda de voluntários de empresas privadas.
A professora e consultora Silvina Ramal acompanha há alguns anos o trabalho de ONGs e pequenas empresas surgidas em comunidades de baixa renda, e percebe um problema recorrente: o pouco conhecimento na área de gestão leva à perda de recursos, resultados tímidos, frustração. A má gestão faz com que muitas ONGs só durem até acabar o primeiro financiamento. O sonho de levar a gestão profissional para essas organizações levou-a a criar a Pró-Social, que nasceu com o apoio da Fundação Internacional Avina, a ID Projetos Educacionais, e parcerias como o Comitê para Democratização da Informática (CDI), a PUC-Rio e a FGV-Online. Nosso objetivo, diz Silvina Ramal, é fazer com que o público atendido obtenha resultados melhores com seu trabalho.
A administradora usa como modelo de gestão a ID - Projetos Educacionais, empresa fundada por ela e por Andrea Ramal, há cinco anos. Nascida com o estímulo da incubadora da PUC-Rio, a ID cresceu e hoje atende a algumas das mais importantes empresas brasileiras como a Fundação Roberto Marinho, a Petrobras e a Companhia Vale do Rio Doce.
Mesmo sendo jovem, a Pró-Social já é uma organização internacional: nesse momento, desenvolve um projeto de formação de empreendedores de baixa renda contratado pelo Instituto Kolping do Uruguai. O primeiro projeto do Rio também está em andamento: a organização escolheu o bairro de Santa Teresa para realizar o trabalho piloto de formação de empreendedores. As ações começaram no final do ano de 2005 com um grupo de 20 jovens das comunidades populares da região, como o Morrinho e o Morro dos Prazeres.
Alguns já têm perfil empreendedor definido e querem montar um negócio. Por exemplo, um grupo trabalha como guia mirim de turismo, e outro faz apresentações de capoeira. A Pró-Social trabalhará com eles durante dois anos, ensinando empreendedorismo, noções de gestão empresarial e ajudando-os a montar o próprio negócio com consultoria individual. "O trabalho de empreendedorismo com os jovens faz parte de um projeto ainda maior da Pro-Social no bairro", diz Silvina Ramal.
O Programa da Pró-Social contempla não só os micro e pequenos empresários, mas todos os empreendimentos localizados no bairro e que de alguma forma podem contribuir para o desenvolvimento da região. O objetivo final do projeto é fazer de Santa Teresa um forte Arranjo Produtivo Local (APL) de turismo cultural sustentável.
O bairro de Santa Teresa foi escolhido por seu enorme potencial de desenvolvimento. A região abriga muitas comunidades populares, que necessitam de investimento e possui um patrimônio histórico-cultural de extrema importância para a identidade carioca, diz Silvina Ramal. A empresa Cama e Café, parceira no projeto, é destaque na área de turismo na região e nos ajuda como mediadora com os demais empresários do bairro.
A ONG Lunuz também atua na área de turismo, e a idéia é que orientem os jovens quanto à questão do turismo sustentável. Nos seis primeiro meses do projeto, os jovens farão parte do programa Agente de Cultura Viva do Governo Federal, que se articula com o Ponto de Cultura de Santa Tereza. Este cedeu o espaço, uma bolsa de R$ 150 para cada jovem participante e ofereceu treinamentos complementares com parceiros, como aulas de inglês e informática.
O segundo grande projeto é a Rede Social da PUC-Rio. "Sou professora de Empreendimentos Sociais nesta Universidade, a qual tem uma vocação social muito forte. São muitos os projetos sociai