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Profissionais de saúde e de direito defendem internação para tuberculose como último recurso

Publicado em 31.08.2010 por Agência Brasil

Da Agência Brasil

Brasília O tratamento obrigatório de pacientes com tuberculose, com internação, justifica-se quando todas as alternativas voluntárias se esgotam. A avaliação foi feita hoje (31) por profissionais das áreas de direito e de saúde, no última dia do seminário Tuberculose, Cidadania e Direitos Humanos: Refletindo sobre Deveres para Afirmação dos Direitos das Pessoas com Tuberculose.

Quando o paciente rejeita a supervisão, a médica pneumologista Margareth Pretti Dalcolmo acredita que ainda há a possibilidade dos profissionais de saúde tentarem um acordo. Segundo ela, a mudança recente no protocolo de tratamento, que diminuiu de nove para quatro o número de comprimidos diários a serem ingeridos, é uma media que tem ajudado a convencer o paciente a seguir com o tratamento. “[A mudança] humaniza e melhora a adesão porque é mais fácil convencer o paciente a tomar quatro comprimidos do que nove. A pessoa que está doente tem que ser seduzida.”

A pneumologista Silvia Mateus concorda que deve haver um entendimento, um acordo, entre paciente e médico, quanto à supervisão do tratamento, mas ela acredita que, no caso de crianças, o profissional de saúde tem que acompanhar.

O tratamento compulsório exige certas medidas, como aponta a procuradora do município de São Paulo Tânia Rodrigues Mendes. Entre os cuidados, estão a garantia de assistência à família do paciente que será tratado e o aparelhamento da rede com condições de receber e tratar dignamente e de forma integral o paciente internado ou supervisionado.

Para a procuradora, faltam campanhas de divulgação da doença para a população e informações sobre os direitos dos pacientes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que a tuberculose atinja 8 milhões de pessoas por ano. Dessas, cerca de 2 milhões morrem. No Brasil, estima-se que a doença provoque a morte de 4,7 mil pessoas dentre os 72 mil casos registrados anualmente. Em 2002, apenas 3,3% dos pacientes recebiam acompanhamento. Hoje, o índice aumentou para 43%.

Segundo o Ministério da Saúde, 8,8% das pessoas que contraem tuberculose, por ano, não completam os seis meses de tratamento. Esse número está acima do tolerado pela OMS, que é de 5%.

Edição: Lana Cristina

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