A idéia pioneira da Fundação Orsa de levar uma Escola de Pais para dentro de um abrigo de Caraguatatuba (SP) fez com que quatro famílias das 15 participantes do projeto levassem suas crianças de volta para casa.
O trabalho, que vai muito além de visitas domiciliares e serviços sociais, foi realizado durante 2004 em parceria com a Prefeitura, com objetivo de aproximar os pais das crianças do Centro Integrado de Educação e Cidadania Ciranda do Crescer (Ciec 1), para maior convivência, diálogo e conhecimento da real situação em que vivem seus filhos dentro do abrigo.
Em 2005, o projeto será expandido para oito abrigos do Estado de São Paulo, inclusive com propostas para geração de renda dessas famílias.
De acordo com Aurimar Pacheco, coordenador do Programa Criar da Fundação Orsa, a intenção da Escola de Pais é justamente fazer valer os direitos sociais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Antes da adoção, existem sete medidas de proteção para nossas crianças para garantir o seu direito de convivência familiar. O abrigo é uma medida provisória e excepcional, utilizando como forma de transição. Portanto, antes de qualquer outra medida, precisamos esgotar todas as possibilidades de manter a família de origem unida e psicologicamente equilibrada", afirma Aurimar.
A Escola de Pais contempla uma carga horária de 48 horas, quando as famílias são chamadas semanalmente para debater diferentes temas que vão desde violência doméstica e trabalho infantil até saúde da família, educação e a importância da auto-estima e do direito de brincar.
Segundo Aurimar, antes da Escola de Pais, não existia um trabalho em abrigos seguindo uma linha mais informativa e abrangente, que situasse os pais. "Uma das grandes lacunas do abrigo é a falta de conhecimento da família sobre a realidade em que vivem seus filhos. Tentamos fazer com que redescubram o papel de pai e mãe, e o que significa para seus filhos a 'terceirização' dessa responsabilidade para a escola ou abrigo", explica.
Um dos propósitos mais importantes que a Escola de Pais trabalha é o fortalecimento da auto-estima dos participantes, que geralmente são vistos sob o preconceito de não ter condições de criar os próprios filhos.
"Os pais são vistos com olhar de preconceito porque perderam a guarda e isso fecha oportunidades para eles, como se não houvesse possibilidade de mudança. A Escola de Pais mostra que é possível a reorganização da família e da volta do filho para casa", diz Bernadete Melo, psicóloga do Ciec 1.
Para implementar a Escola de Pais no abrigo municipal de Caraguatatuba, a Fundação Orsa e a prefeitura rastrearam os endereços dos pais - a grande maioria das crianças tem família - e os convidou para participar, fornecendo, em parceria com a Prefeitura, os vales-transporte e alimentação.
Como praxe, inclusive para as famílias que não participam da Escola de Pais, a Fundação e a prefeitura utilizam também de outros mecanismos de aproximação como visitas domiciliares, conhecidas como "café com os pais", onde checam as necessidades mais urgentes da família para assim fazer um trabalho direcionado. "Apesar de todas essas ferramentas, sentimos que a Escola de Pais é que nos ajuda efetivamente a conhecer melhor quem pode realmente ter seus filhos de volta", completa Aurimar.
Para 2005, além de estender o projeto para outros abrigos, a Fundação Orsa vai estimular a geração de renda para algumas famílias, promovendo o desenvolvimento sustentável da comunidade. Para isso, a instituição concederá microcrédito para o desenvolvimento profissional e empreendedorismo desses pais.
Sobre a Fundação Orsa
A Fundação Orsa completou dez anos em 2004 e tem como missão a formação integral de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social. Ela atua como Sementeira, estabelecen