Odécio Manoel Rios, 63 anos, taxista aposentado, morador da localidade de Três Riachos (interior de Biguaçu), onde é mais conhecido como seu Barriga, tinha motivos de sobra para sorrir na noite da última quarta-feira , 20/12: o neto Alexssander Rodrigues Rios, de 17 anos, criado como filho adotivo, recebia um diploma pela participação no Projeto Pescar. Mais importante do que esse só o da Faculdade, assegurou. Seu neto era um dos 15 formandos no Curso de Mecânica Básica do Pescar da Unidade José Portella Nunes, mantido pela Sulcatarinense Mineração e Construções, sediada em Biguaçu.
Perto dali, em São José, 10 jovens egressos das comunidades de Fazenda Santo Antônio, Brejaru e Sertão do Maruí também já sonhavam com seu certificado. Na mesma quarta-feira a Koerich Bebidas inaugurou sua unidade do Pescar com o curso de Iniciação em Vendas. Para ingressar, passaram por uma seleção que envolveu 64 jovens entre 15 e 18 anos. Exige-se freqüência e boas notas na escola, além de bom comportamento.
O Pescar é um projeto de responsabilidade social focado em educação complementar para jovens de baixa renda, com 31 anos de atuação, 97 unidades em 10 estados e quase 10 mil jovens treinados. No grupo que acaba de se formar, todos saíram com empregos garantidos. Além dos cursos preparatórios, há aulas de Cidadania, Informática, Empreendedorismo, entre outras.
Eles vêem o Projeto como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento profissional diz Príncia Béli Teixeira, orientadora da unidade Josefense M.Koerich. Os jovens aprendem muita técnica que será fundamental para que se tornem competitivos no mercado de trabalho. Contudo, a transformação pessoal é o que realmente impressiona, observou Roberto Guedes, orientador do Pescar na Sulcatarinense. Foi a terceira turma do Pescar nessa empresa, em um total de 49 formandos, desde 2003.
Alexssander vai trabalhar numa empresa parceira do Pescar, a Bigolin Autopeças, mas, como os demais colegas, sonha mais alto. Quero ser empresário, ter minha própria oficina de auto-elétrica, revela. Cinthia Ribeiro, 16 anos, mora no bairro Saudade, comunidade vizinha à Sulcatarinense, e divide seus projetos entre ser modelo ou médica veterinária. Ambos sabem que a maior conquista foi a de acreditar na capacidade de seus sonhos. Hoje tenho uma visão melhor da vida, não sabia o que fazer no futuro, nem sabia me comunicar ou trabalhar em equipe, resumiu Alexassander. Para Cinthia, o mais importante foi ter aprendido conviver com as diferenças, a superar minhas dificuldades e valorizar o conhecimento.