Trinta jovens da periferia de São Paulo participarão, em julho, de uma maratona de vestibulares, disputando vaga nas universidades em igualdade de condições com milhares de outros estudantes. Esses jovens tiveram uma oportunidade rara: foram selecionados para participar do Cursinho Pré-vestibular Comunitário, desenvolvido pela ONG Cidade Escola Aprendiz e Fundação Instituto de Administração (FIA), com apoio do Santander Banespa e JP Morgan. Desde março, têm aulas em período integral, com reforço aos sábados, recebem orientação vocacional, apoio psicológico e participam de atividades culturais.
Agora, estão preparados para os exames do meio do ano em instituições de ensino superior, como Unesp (Universidade Estadual Paulista), Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo), UF-ABC (Universidade Federal do Grande ABC), CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo) e para garantir uma boa nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Entre os 30 jovens que participaram do programa, os cursos mais desejados são Administração de Empresas, Engenharia e História, mas a formação técnica também atrai muitos deles. Se não forem aprovados, terão mais seis meses de cursinho e uma nova oportunidade de tentar entrar na universidade no final do ano.
O Santander Banespa integra o programa Cursinho Pré-vestibular Comunitário desde 2005 e, juntamente com o JPMorgan, responde pelos custos da contratação de professores da FIA, aluguel da sala de estudos, compra de equipamentos, mobiliário, material de estudo (apostilas Objetivo) e concessão de bolsa-auxílio (R$ 300,00) para os estudantes, além de transporte e alimentação.
Ao oferecer condições para que os jovens da periferia disputem vagas nas universidades, competindo de igual para igual com alunos das melhores escolas e cursinhos do País, o programa exerce um papel fundamental na transformação social e é um exemplo a ser seguido, diz Vanda Pita, superintendente de Responsabilidade Social do Santander Banespa. O Cursinho Pré-Vestibular insere-se nos objetivos do banco de investir em ações para garantir, cada vez mais, o acesso à universidade de estudantes de baixa renda.
Para Yael Sandberg, diretora da ONG Cidade Escola Aprendiz, o programa é completo, pois cumpre um papel acadêmico e social, além de aumentar o repertório do aluno, elevar sua auto-estima e ampliar sua visão do mundo e da vida. Yael ressalta que o projeto quer capacitar esses jovens para um bom desempenho no vestibular, sobretudo nas universidades públicas.
Entre 2004 e 2005, 49 alunos concluíram o Cursinho Pré-Vestibular, com aprovação de 53%. A maioria está em universidades públicas, como USP e Unesp; e outros entraram em faculdades privadas, como a FAAP. Alguns até conseguiram bolsas do PROUNI para o Mackenzie e PUC.
O trabalho psicológico dos professores, somado ao resultado conquistado pela turma dos anos anteriores, reflete-se positivamente nos alunos do curso de 2006, que demonstram ganhos de confiança e auto-estima, avalia Josana Mendes, coordenadora da área de Responsabilidade Social do JP Morgan.
Podem participar do projeto jovens de famílias com renda mensal individual de até R$ 390,00 e que tenham freqüentado a rede pública de ensino durante todo o período escolar.
adwc