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Projeto Saúde e Cultura Pankararu Diagnostica Problemas

Publicado em 25.04.2006 por Pauta Social

Anemia, diarréia e desnutrição nas crianças. Entre os adultos, doenças de pele, problemas respiratórios, hipertensão e diabetes, além de problemas típicos da saúde feminina e do homem. No primeiro diagnóstico do Projeto Saúde e Cultura Pankararu, uma parceria entre a Pfizer e a Associação Saúde Sem Limites (SSL), esses foram os principais problemas de saúde encontrados. O diagnóstico contou com 10% da população adulta da comunidade. O projeto, que começou em maio de 2005, abrange 14 aldeias Pankararu.

A partir do diagnóstico, o projeto já começou a atuar de duas formas. Uma delas é a formação dos agentes indígenas de saúde (AIS) e a outra, o acompanhamento das gestantes. A articulação da SSL com comunidade e instituições governamentais conquistou um feito inédito na região: os índios que completarem o primeiro módulo de capacitação da Escola Técnica de Saúde Pública (ligada ao Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde) receberão um certificado, comprovando suas habilidades e validando sua atuação.

O curso completo é composto por três módulos, com duração de cerca de seis meses cada um. "Como a participação do segundo e do terceiro módulos está vinculada a uma mínima escolaridade, exigida pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a SSL já está se articulando com a Secretaria de Educação para a formação de uma classe de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para os índios Pankararu", relata Marina Machado, coordenadora-executiva da Associação Saúde Sem Limites.

"Unir os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas ao serviço oficial de saúde é um dos desafios do projeto. Por isso, estamos investindo também no resgate do conhecimento das parteiras, as chamadas mulheres que pegam criança", atesta Sandra Castellano, gerente de Comunicação Corporativa da Pfizer.

Já foi realizado um encontro com 26 dessas profissionais informais, durante o qual elas foram convocadas para um curso de três dias oferecido pelo Ministério da Saúde. De posse do certificado que será entregue, as parteiras poderão se cadastrar no Sistema Único de Saúde para receber uma bonificação por parto realizado. Essa será também uma contribuição ao levantamento de estatísticas da região, pois elas terão de registrar os partos realizados.

Desde o início do projeto, já foram feitos 497 atendimentos às mulheres gestantes, com objetivo de acompanhar todas as fases do pré-natal. Quarenta e oito partos foram registrados no período sem complicações, o que significa um grande ganho para a população.

Além das doenças mais comuns, a comunidade diagnosticou também quais são as principais deficiências de estrutura e organização dos serviços de saúde. Os problemas apontados são número insuficiente de profissionais médicos, demora na marcação de consultas especializadas, especialmente se o caso exige o deslocamento do paciente para Recife, demora na marcação de exames e no recebimento dos resultados, falta de transporte para a realização dos exames, das consultas e para atender a situações de urgência e emergência.

Com relação à infra-estrutura de serviços básicos, o principal problema é a falta de acesso à água de boa qualidade e em quantidade suficiente para atender às necessidades da população. Como não está ao alcance do projeto provocar mudanças na infra-estrutura de saneamento básico e assistência à saúde da comunidade, o trabalho pretende contribuir influenciando a população Pankararu a se organizar para reivindicar esses direitos.

É sabido que a resolução das deficiências diagnosticadas não é um passo fácil, considerando as condições precárias de moradia e saneamento da região, mas pode-se dizer que uma semente já foi plantada: a da mobilização social. "O envolvimento de 400 índios na realização do diagnóstico participativo já é uma grande conquista. Indiretamente, estamos atingindo toda a população e provocando um movimento de mudança", comemora Cícero Soares da Cruz, liderança Pankararu.

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