Brasília - A
polêmica entre ambientalistas e ruralistas sobre modificações
no Código Florestal pode estar chegando ao fim. Pelo menos é
no que acredita o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que
apresentou hoje (5) as propostas da área ambiental para o
assunto. Minc aceita manter as plantações de maçã,
café, uva e mate em encostas e topos de morros e permite a
soma das áreas de proteção permanente (APPs) à
reserva legal para os agricultores familiares ou com propriedades de
até 150 hectares.
“Acabou
a guerra. Estou otimista de que vamos chegar a um bom entendimento.
Não acho que a CNA [Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil] e o Greenpeace vão
sair juntos dançando reggae na Chapada dos Veadeiros, mas
houve muitos avanços [na negociação]”.
As
propostas do Ministério do Meio Ambiente foram fechadas com
movimentos de agricultores familiares, mas segundo Minc, também
beneficiam os grandes produtores. O MMA propõe a simplificação
da averbação da reserva legal das propriedades que
passará a ser fiscalizada a partir de 11 de dezembro com
redução da burocracia. Para os agricultores familiares,
o georreferenciamento será gratuito.
A
consolidação de plantios de macieiras, videiras e
cafezais em encostas e topos de morros e de arroz em regiões
de várzea estará garantida, de acordo com a proposta da
área ambiental. A concessão valerá para os
pequenos e grandes produtores, no entanto, não serão
permitidos novos desmatamentos para ampliar as lavouras nessas áreas.
A
utilização de APPs como reserva legal só valerá
para a agricultura familiar ou propriedades com até 150
hectares. Já a permissão de manejo florestal na área
da reserva legal também poderá ser feito pelos grandes
proprietários, inclusive com exploração
madeireira.
Outra
proposta, que na avaliação de Minc vai beneficiar a
agricultura empresarial, é a criação de um
sistema de cotas de reserva florestal. Quem não preservou a
reserva legal dentro da propriedade pode comprar áreas
preservadas por outros produtores, desde que no mesmo bioma e na mesma
bacia hidrográfica. A compensação em outras
áreas é prevista pelo Código Florestal, mas até
hoje não foi regulamentada. Cada cota corresponderá a
um hectare de área preservada. O preço das cotas será
definido entre compradores e vendedores, sem interferência do
governo.
Minc
também quer a criação do programa Mais Ambiente,
com garantia de mais tempo para regularização,
assistência técnica e acesso a mudas e sementes para
quem aderir à iniciativa. De acordo com o ministro, o conjunto
de propostas deve resolver pendências legais de 95%
dos agricultores do país, entre pequenos e médios
produtores.
Parte das
propostas fica garantida com a edição de instruções
normativas e resoluções do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Conama). As mudanças mais polêmicas dependem
de decretos presidenciais ou medidas provisórias. Na próxima
segunda-feira (9) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve
definir que posições o governo vai adotar em reunião
com Minc e os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do
Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.