O uso do crack por parte dos jovens vem preocupando as autoridades no Ceará, pois aliado a ele está o aumento da criminalidade, prostituição, impactos na saúde, destruição de famílias, desemprego. Agora uma pergunta está no ar: para além das ações pontuais de governo, que tipo de política pública pode deter essa droga tão poderosa? Uma proposta ainda incipiente, mas que deve ser vista com atenção, é o Projeto Aliança Social Contra o Crack, apresentado pela Prefeitura de Fortaleza ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, para o biênio 2010/2011.
A iniciativa surgiu de uma ideia lançada pela Central Única das Favelas (Cufa-CE), de formação de uma rede social contra a droga, incluindo a participação de órgãos do Estado, do Município e da sociedade civil. Segundo o coordenador da Guarda Municipal, órgão gestor do projeto, Arimá Rocha, a resposta do Pronasci à proposta de Fortaleza está prevista para novembro próximo. Se aceito, o projeto funcionará, inicialmente, no Território da Paz do Bom Jardim, composto por bairros com alto índice de criminalidade. Além da operação no Grande Bom Jardim, a Guarda propôs ao Pronasci a criação de mais dois territórios da paz.
O público-alvo serão jovens de 15 a 24 anos e a ideia é promover ações intersetoriais de forma a recuperar usuários de drogas e evitar que mais jovens adiram ao vício. Segundo o coordenador da Cufa-CE, Preto Zezé, a articulação é necessária porque o poder público tem trabalhado "meio isolado e se faz necessária a integração de vários trabalhos. Uma das ações sugeridas foi realizar uma pesquisa quantitativa para mensurar o universo de usuários de crack em Fortaleza. Para a assistente social, mestre em Sociologia e especialista em Juventude, Cynthia Studart, que ajudou a escrever o projeto, é necessário formar a rede porque a drogadição é um problema multidimensional. "O usuário de drogas demanda várias dimensões: saúde, educação, assistência social, acesso ao lazer e a bens de consumo, direito à renda, acesso a emprego, convivência familiar e comunitária, entre outros", atesta.
Na opinião de Cynthia, o fato do crack ter se tornado problema social só nos últimos cinco anos "deixou todos os operadores da política pública um pouco atordoados", inclusive pela falta de pesquisas que possam subsidiar as ações de governo. A estratégia é avaliada como "boa" pelo secretário de Segurança Pública, Roberto Monteiro. Ele ressalta, porém, que é preciso a ideia se materializar: "Às vezes, essas estratégias são planejadas, mas, na hora de colocar em prática, não são colocadas de forma completa", observa.