Brasília - A discussão sobre orientação sexual e ampliação da inclusão social de homossexuais foram
alguns dos resultados obtidos com a resolução criada no dia 22 de março
de 1999 pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). É dessa maneira que, dez anos depois, o presidente da CFP, Humberto Cota Verona, avalia os efeitos da resolução, que proibiu psicólogos brasileiros de tratar a homossexualidade como
problema de saúde.
Segundo ele, a medida
fez com que o debate sobre homossexualidade estivesse cada vez mais presente
na sociedade. “Ela [a
resolução] teve um importante papel para garantir direitos e abrir a
discussão sobre a questão da orientação sexual. Hoje a gente pode dizer
que a sociedade evoluiu bastante”, afirmou o psicólogo em entrevista ao programa Cotidiano da Rádio Nacional.
Para a
psicologia, a homossexualidade é uma experiência humana e não um desvio
patológico como acreditavam profissionais que ofereciam
tratamento de cura até a aprovação da determinação pelo conselho. “A resolução proíbe o psicólogo de tratar a escolha
homoafetiva como um problema de saúde e muito menos oferecer
tratamento e cura para isso. Foi com essa compreensão que editamos essa
resolução que hoje nos dá muito orgulho de estarmos comemorando”, disse Verona.
Apesar dos ganhos, o presidente do CFP enfatizou
que ainda há muito que se fazer contra a discriminação. Segundo o psicólogo,
pessoas com diferentes orientações sexuais que não a considerada “normal”
pela sociedade sofrem com o preconceito e acabam procurando ajuda psicológica. “A
psicologia tem ajudado essas pessoas a encarar esse sofrimento, a
aprender a lidar com esse enfrentamento social da sua escolha.”