As chuvas que afetaram os estados de Pernambuco e Alagoas deixaram mais de 180 mil pessoas desabrigadas, a maioria sem acesso à água e comida. Várias entidades estão se mobilizando para ajudar as vítimas das enchentes no Nordeste. Esse é um dos exemplos de como a responsabilidade social é necessária para transformar o futuro dos mais necessitados. Um dos desafios na atualidade é diminuir as desigualdades existentes no mundo, garantindo a todos o acesso a educação, a moradia, a alimentação e a saúde. Por isso que cada vez mais, empresas, ONGs e organizações estão assumindo o papel que caberia ao Estado. Nesse contexto, o termo responsabilidade social ganha força principalmente no meio empresarial como forma de ajudar a minimizar os problemas que afetam a sociedade em geral.
Hoje, as principais empresas vêem o quanto é importante desenvolver atividades que promovam o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida de seus empregados, de suas famílias e da comunidade em geral, além de associar seus produtos e serviços com o desenvolvimento sustentável, ou seja, todo o processo de produção é feito pensando na preservação ambiental. Com isso, a organização ganha confiança e credibilidade do público e melhora de sua imagem. Infelizmente o conceito de responsabilidade social ainda está longe de ser considerado como primordial por todas as empresas. Pois algumas delas cumprem esse papel apenas como aspecto obrigatório para o moderno modelo de gestão, afirma Haércio Suguimoto, presidente do Lar Escola Cairbar Schutel e há mais de 24 anos realiza trabalho voluntário.
O presidente da entidade acredita que para melhorar a qualidade de vida de quem precisa não é apenas dever das empresas e do Estado, mas deve fazer parte do cotidiano de cada um. O trabalho voluntário é uma das maneiras que podem amenizar esse cenário. Com a atividade é possível ajudar, por exemplo, mais de 14 mil entidades filantrópicas cadastradas no País. As atividades vão desde reparo na estrutura das entidades, passando pelo acompanhamento, seja de uma criança ou de um idoso, até chegar o apoio pedagógico, dentre outras formas. Trabalhar para que crianças e jovens tenham uma melhor condição de vida e se preparem para um futuro mais digno também é uma maneira de agir com responsabilidade social, avalia. Muitas vezes o assunto responsabilidade social é confundido, num primeiro momento, como sendo apenas uma política assistencialista, de substituição do Estado no auxílio de carências materiais. Responsabilidade social diz respeito ao cumprimento dos deveres e obrigações não só das empresas, mas de todos os cidadãos para com a sociedade em geral, analisa Suguimoto.
Já o assistencialismo é visto por alguns de modo pejorativo, pelo simples fato de que está ligado à doação de bens materiais sem a necessária inclusão social. A pessoa que recebe o benefício fica dependente do auxílio e não consegue mudar a sua realidade. É como dar o peixe sem ensinar a pescar. Porém, a caridade também tem seu aspecto positivo em países que enfrentam tanta desproporção social como o Brasil ou num caso extremo como o que está acontecendo com as vítimas das enchentes dos Estados de Pernambuco e Alagoas. É uma ajuda momentânea para quem não tem sequer o mínimo para necessidades básicas, defende Haércio. Ele lembra o antropólogo Betinho: No primeiro momento eles querem comida. Mas no segundo querem trabalho e dignidade. Também é uma forma de levar conforto imediato às pessoas que sofrem com catástrofes, reflete o voluntário.
Para Haércio, passadas as situações de crise, as pessoas se esquecem que responsabilidade social deve ser uma atividade praticada em todos os dias do ano. As ocorrências e necessidades ocorrem diariamente nas entidades e na vida dos desassistidos. É importante não ficar apenas nas doações, pelo contrário, devemos proporcionar àqueles que precisam programas de incentivo para que consigam se manter sem depender de um auxílio permanente, comenta. Segundo Suguimoto, no Brasil o conceito de responsabilidade social e de ajuda ao próximo, ainda se encontra em estágio de maturação. Em países desenvolvidos como é o caso americano, o entendimento já é um ideal cultural, enraizado no histórico daquele povo, movimentando altas somas anuais voltadas à ajuda aos mais necessitados. O desenvolvimento de um país depende da inserção social que possibilita a todos o acesso às necessidades básicas. Para que haja a mudança, toda a sociedade deve se mobilizar para diminuir efetivamente as desigualdades existentes, ressalta Haércio Suguimoto. E alerta: Esperamos que o exemplo da mobilização de entidades e pessoas comuns em favor dos desabrigados da tragédia do Nordeste se repita todos os dias em cada casa, em cada país. Tomara que seja uma atitude que tenha vindo para ficar.
Fundada em 17 de janeiro de 1963, o Lar Escola Cairbar Schutel possui capacidade para atender gratuitamente 60 crianças meninos e meninas, de 0 a 18 anos, em situação de risco social. Desde sua fundação, a entidade já acompanhou a vida de 529 crianças. Dessas, 434 retornaram para o seu lar de origem, 68 foram adotadas internacionalmente e 27 foram adotadas no Brasil. Seu objetivo é ser uma instituição beneficente reconhecida como centro de referência em administração do Terceiro Setor, oferecendo lar, educação, cuidados médicos, alimentação e ensinamentos morais para formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Os pilares que baseiam a entidade são: cidadania, ética, integridade e honestidade para com toda a sociedade, união, fraternidade, humildade e fé raciocinada. A instituição está localizada na Rua Francisco Preto, 213 Vila Morse São Paulo.