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Saiba mais sobre o histórico da violência no estado do Espírito Santo

Publicado em 23.11.2004 por Agência Brasil

Iara Falcão

Repórter da Agência Brasil


Brasília - Os ataques aos ônibus na Grande Vitória chamaram a atenção de todo o país para a violência no Espírito Santo. É o terceiro estado em número de homicídios, perdendo apenas para Rio de Janeiro e Pernambuco, e o segundo em assassinatos contra jovens na faixa etária entre 15 e 24 anos, de acordo com dados da Unesco de 2002.

O secretário de Segurança Pública

A Segurança Pública não pode ser tratada apenas como medidas de vigilância e repressiva, mas como um sistema integrado e otimizado envolvendo instrumento de prevenção, coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O processo de segurança pública se inicia pela prevenção e finda na reparação do dano, no tratamento das causas e na reinclusão na sociedade do autor do ilícito. Assim, segurança pública é um processo (ou seja, uma seqüência contínua de fatos ou operações que apresentam certa unidade ou que se reproduzem com certa regularidade), que compartilha uma visão focada em componentes preventivos, repressivos, judiciais, saúde e sociais. É um processo sistêmico, pela necessidade da integração de um conjunto de conhecimentos e ferramentas estatais que devem interagir a mesma visão, compromissos e objetivos. Deve ser também otimizado, pois depende de decisões rápidas, medidas saneadoras e resultados imediatos.
Fonte: Wikipedia
, Rodney Miranda, em documento intitulado "O Crime Organizado no Espírito Santo", afirma que o problema não é atual. Começou por volta da década de 80, com a formação de quadrilhas envolvidas com o jogo do bicho. Líderes sindicais, defensores dos direitos humanos, autoridades passaram a ser alvo dos empresários do narcotráfico, da lavagem de dinheiro, da prostituição, da corrupção, e outras atividades ilegais.

Casos que até hoje estão sem solução e que mobilizaram a opinião pública. Como o do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, assassinado quando saía de uma academia de ginástica, em março de 2002. O juiz trabalhava na 5ª Vara Criminal do Espírito Santo e investigava organizações criminosas.

Um mês depois, outro acontecimento obteve grande repercussão. A morte do advogado Marcelo Denadai que, segundo apurou a polícia, tinha intenção de denunciar irregularidades envolvendo a prefeitura. Apesar de se ter mandado prender os suspeitos pela execução, alguns dos envolvidos foram mortos. O suspeito de ter sido o mandante conseguiu fugir e hoje responde o processo em liberdade. A própria OAB do estado foi alvo de atentados e ameaças a bomba. Muito antes disso, jornalistas, prefeitos e testemunhas também foram mortas.

Segundo o presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo, Agesandro da Costa Pereira, o problema é que havia uma conivência dos governos com as organizações que permitiu a ocupação de esferas do estado por criminosos. "Houve várias providências da Comissão de Direitos Humanos do Ministério da Justiça que procedeu várias investigações, mas isso nunca chegou a bom termo porque a infiltração do crime organizado nas instituições era de tal modo que qualquer providência resultava ineficaz", afirma.

E acrescenta: "Foram colocando pessoas ligadas a eles em cargos políticos, nomeando delegados para apurar os crimes deles mesmos. Então dominavam a sociedade civil
Sociedade civil se refere à totalidade das organizações e instituições cívicas voluntárias que formam a base de uma sociedade em funcionamento, por oposição às estruturas apoiadas pela força de um estado (independentemente de seu sistema político).
Fonte: Wikipedia
e o empresariado".

Com a morte do juiz Alexandre Martins, a OAB solicitou, em 2002, a intervenção federal no estado. Mas o pedido foi negado pelo então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro e pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.(Iolando Lourenço)


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