Iara Falcão
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Os ataques aos ônibus na Grande Vitória chamaram a atenção de todo o país para a violência no Espírito Santo. É o terceiro estado em número de homicídios, perdendo apenas para Rio de Janeiro e Pernambuco, e o segundo em assassinatos contra jovens na faixa etária entre 15 e 24 anos, de acordo com dados da Unesco de 2002.
O secretário de Segurança Pública
Casos que até hoje estão sem solução e que mobilizaram a opinião pública. Como o do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, assassinado quando saía de uma academia de ginástica, em março de 2002. O juiz trabalhava na 5ª Vara Criminal do Espírito Santo e investigava organizações criminosas.
Um mês depois, outro acontecimento obteve grande repercussão. A morte do advogado Marcelo Denadai que, segundo apurou a polícia, tinha intenção de denunciar irregularidades envolvendo a prefeitura. Apesar de se ter mandado prender os suspeitos pela execução, alguns dos envolvidos foram mortos. O suspeito de ter sido o mandante conseguiu fugir e hoje responde o processo em liberdade. A própria OAB do estado foi alvo de atentados e ameaças a bomba. Muito antes disso, jornalistas, prefeitos e testemunhas também foram mortas.
Segundo o presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo, Agesandro da Costa Pereira, o problema é que havia uma conivência dos governos com as organizações que permitiu a ocupação de esferas do estado por criminosos. "Houve várias providências da Comissão de Direitos Humanos do Ministério da Justiça que procedeu várias investigações, mas isso nunca chegou a bom termo porque a infiltração do crime organizado nas instituições era de tal modo que qualquer providência resultava ineficaz", afirma.
E acrescenta: "Foram colocando pessoas ligadas a eles em cargos políticos, nomeando delegados para apurar os crimes deles mesmos. Então dominavam a sociedade civil
Com a morte do juiz Alexandre Martins, a OAB solicitou, em 2002, a intervenção federal no estado. Mas o pedido foi negado pelo então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro e pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.(Iolando Lourenço)