Foto: Escola 8 de Março
Dom Ivo (esq) e Irmão Ademar (dir) receberam homenagem durante a Feira
A coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança, Irmã Lourdes Dill, disse que foi lançada a idéia de realizar a 1ª Feira Latino-Americana de Economia Popular Solidária, em Santa Maria, nos dias 9 e 10 de julho de 2005. A meta foi estabelecida neste domingo, durante o encerramento da 11ª Feira Estadual do Cooperativismo, no Terminal de Comercialização Direta.
"A feira só tende a crescer e 2005 é um ano estratégico para o Brasil na proposta da Economia Popular Solidária contra a Alca e a favor do Mercosul", ressalta a Irmã Lourdes Dill. Além disso, ela destaca que a Feira do Cooperativismo "pretende ser um braço do Fórum Social Mundial", que terá a sua 5ª edição em Porto Alegre, de 26 a 31 de janeiro de 2005. "É o momento de fortalecer o consumo justo e solidário no Mercosul", enfatiza. A primeira avaliação da Feira do Cooperativismo deste ano é positiva. "É uma festa popular e solidária, onde todos estão representados", comenta a Irmã Lourdes.
Um representante de Manaus (AM) visitou a feira na tarde deste domingo, consolidando em sete o número de estados presentes no evento (RS, SC, PR, SP, PE, PA e MA, além do DF). A homenagem ao bispo emérito de Santa Maria, Dom Ivo Lorscheiter, e ao Irmão Pallottino, Ademar Rocha, marcaram a programação de domingo na feira.
O evento, que começou no sábado, atraiu um maior grupo na tarde de domingo em virtude do sol e do Passe Livre no transporte coletivo. Paralelamente, aconteceram a 3ª Feira Nacional de Economia Popular Solidária, a 4ª Mostra Regional da Biodiversidade e o Seminário Nacional de Economia Popular Solidária e as Políticas Públicas para o Brasil. A Feira foi promovida pela Diocese de Santa Maria, Projeto Esperança/Cooesperança, Prefeitura Municipal, Saema, Mitra Diocesana/Banco da Esperança, Cáritas Brasileira Regional/RS, UFSM e Grupo de Agroecologia Terra Sul (Gats).
Para Dom Ivo, que comandou a Diocese de Santa Maria durante 30 anos, "o cooperativismo e a solidariedade unem as pessoas e fortalecem o espírito de paz entre os povos". Dom Ivo valorizou o exemplo de vida do Irmão Ademar, que completa cem anos em agosto, sempre disposto a ajudar a todos. O novo bispo da Diocese, Dom Hélio Adelar Rubert, há 40 dias no posto, afirmou que "a Feira é uma escola de solidariedade, que precisa ser fortificada".
O Frei Sérgio Görgen, que lançou no evento o livro "Marcha ao Coração do Latifúndio", observou que "a fé de Dom Ivo se propagou na Diocese de Santa Maria e estimulou ações práticas. Ele pediu, ainda, que o preconceito disseminado na sociedade contra o MST seja quebrado. "A grande luta é para que a terra seja distribuída, mas a Feira do Cooperativismo é o verdadeiro jeito de produzir e consumir", destacou o Frei Sérgio, que também é deputado estadual pelo PT/RS. O Sicredi Santa Maria (90 anos) e o jornal A Razão (70 anos) também foram homenageados com quadros em estilo artesanal, confeccionados pelo artista Xiru Vasseur.
O secretário estadual da Reforma Agrária e do Cooperativismo, Vulmar Leite, disse que "a organização social gera trabalho e renda. Ele ressaltou que o evento é "o símbolo da economia popular solidária e do cooperativismo no RS". Leite prometeu voltar, em breve, à cidade para assinar convênios que permitam a ampliação do Terminal de Comercialização Direta.
A Irmã Lourdes Follmann, que veio de Canaã dos Carajás (PA), disse que a experiência da Feira do Cooperativismo será levada para a sua cidade, distante quatro mil quilômetros de Santa Maria. "Vamos levar as idéias para implantá-las na nossa região", enfatizou. O consultor da Unesco e coordenador da Regional Sul dos Consads, Euclides Mance, disse que as cadeias produtivas precisam ser reorganizadas nos territórios, promovendo o consumo dos produtos da região para o seu desenvolvimento. Ele comentou que as redes são fundamentais para ampliar a economia popular solidária, gerando trabalho, renda e inclusão social.
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