A inserção das micro e pequenas empresas na cadeia produtiva do petróleo, gás e energia foi tema de debate em Curitiba, na semana que passou. Eliane Lobato Peixoto Borges, analista da Unidade de Atendimento Coletivo do Sebrae Nacional, apresentou, na sexta-feira, dia 7, um convênio, firmado entre o Sebrae Nacional e a Petrobras, que apoia o desenvolvimento dos pequenos negócios, por meio de projetos e da formação de redes de cooperação de empresas interessadas em serem fornecedoras da Petrobras, em 15 estados brasileiros, incluindo o Paraná.
A exposição ocorreu durante o Seminário O Pré-sal: Mobilização da Cadeia de Fornecedores, promovido pelo Grupo RIC do Paraná. Eliane Borges contextualizou o segmento de petróleo, gás e energia, mostrou as ações do convênio e divulgou alguns resultados alcançados. O plano de negócios da Petrobras, para o período 2011-2015, prevê US$ 224,7 bilhões em investimentos. Para se ter uma ideia do que representa esse montante, o valor total de recursos aplicados para a realização da Copa 2014 no Brasil gira em torno de R$ 17 bilhões.
Eliane Borges mostrou que o investimento no convênio, iniciado em 2004 e com duração até 2015, gira em torno de R$ 78 milhões. Segundo ela, ainda há R$ 40 milhões para serem aplicados em projetos de apoio ao desenvolvimento tecnológico, fomento à inovação, diagnósticos locais e levantamentos de oportunidades de negócios. "Somente em Sergipe foram atendidas pelo convênio mais de 8 mil empresas. Naquele estado, foi realizado o primeiro mapeamento de demandas tecnológicas da Petrobras. Foram descobertas 11 oportunidades para inserção das micro e pequenas empresas na cadeia produtiva."
Segundo a analista do Sebrae Nacional, a catalogação das oportunidades da Petrobras também irá ocorrer em outros estados. "Terminamos, em setembro, o mapeamento de demandas tecnológicas da Petrobras na Bahia. Verificamos mais de 100 demandas que se dividem por grau de complexidade e de impacto. No Rio de Janeiro, o Centro de Pesquisas da Petrobras levantou 50 patentes que podem ser colocadas no mercado por pequenas empresas que atuem com tecnologia. Foram selecionadas oito oportunidades, quatro patentes e quatro tecnologias."
Eliane Borges disse ainda que os projetos para inclusão das pequenas empresas no setor de petróleo e gás são desenvolvidos com foco nos temas: inteligência competitiva, cultura da cooperação, desenvolvimento de fornecedores e inovação e acesso ao mercado.
Paraná
O consultor do Sebrae/PR e gestor do Projeto Petróleo, Gás e Energia no Paraná, Pedro Cesar Rychuv Santos, participou, durante o Seminário, de um painel sobre as perspectivas e projeções para a cadeia de fornecedores do Estado. O consultor destacou que o mercado de petróleo, gás e energia no Brasil não se restringe à Petrobras, mas a muitas outras empresas da iniciativa pública e privada. Ele informou que, no Paraná, 252 empresas estão sendo atendidas pelo Projeto e que a entidade investiu 850 horas de consultorias empresariais.
Hoje, há 50 empresas em negociação comercial com empresas-âncora (potenciais compradoras das micro e pequenas empresas) da cadeia produtiva e até mesmo diretamente com a Petrobras. "Nos próximos meses, vamos levar informações sobre as oportunidades de negócios e formas de cadastro para as regiões do Estado que contam com Arranjos Produtivos Locais (APL) estruturados. O objetivo é que as pequenas empresas tenham condições de atender as necessidades da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) e de outras unidades da Petrobras, além das grandes obras que devem perdurar pelos próximos dez anos."
Pedro Cesar Rychuv Santos analisou que as principais dificuldades para que as micro e pequenas empresas forneçam produtos e serviços para a cadeia de petróleo e gás são o acesso à informação, gestão e tecnologia. "Muitos empresários não sabem como é o processo de inserção na cadeia produtiva. Para poder competir, no processo de licitação, pregão eletrônico e outras modalidades de contratação, tem que ter os preços ajustados, custos controlados para poder bater os preços dos concorrentes. Isso é gestão. Outra questão é a inovação tecnológica", disse.
"A empresa que tem o seu parque fabril com máquinas adequadas, capacidade de produção melhor, compra de matéria-prima com preço reduzido, com certeza terá preço melhor que outras menos estruturadas", complementou o consultor. Para o consultor do Sebrae/PR, o Seminário O Pré-sal: Mobilização da Cadeia de Fornecedores foi uma grande oportunidade para as empresas paranaenses conhecerem as oportunidades de negócio geradas pelo pré-sal. "Nesses encontros, os participantes podem enxergar novas oportunidades e obtêm informações sobre como ingressar nesse mercado."
Oportunidade
Para o diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini, que também participou do Seminário, a descoberta de reservas de petróleo e a sua exploração passaram a ter um significado especial para a economia do País. "E também para o empreendedorismo. Geradoras de empregos e renda, e amortecedoras de crises, as micro e pequenas empresas visualizaram novas oportunidades de negócios. No Paraná, o processo não foi diferente. O pré-sal, aliado aos investimentos feitos pela Petrobras, em suas unidades em Araucária e São Mateus do Sul, dá impulso aos pequenos negócios. Aqui, o caminho já está sedimentado."
Segundo Agostini, para o Sebrae/PR, a inserção competitiva e sustentável dos pequenos negócios na cadeia produtiva do petróleo, gás e energia é mais que uma exigência, mas uma visão de futuro. "O pré-sal mostra-se como uma ‘âncora' de desenvolvimento para as micro e pequenas empresas, que, no Paraná, contam com um serviço especial de orientação. A Petrobras compra desde um alfinete até um helicóptero. É imenso o leque de opções. A criação da Redepetro Paraná, que reúne um cadastro de pequenas empresas capacitadas para serem fornecedoras de grandes empresas, também foi um grande passo nesse processo de inclusão. São pequenos negócios, que têm apostado na qualificação como diferencial de mercado. O pré-sal é a oportunidade do momento", assinalou.
Repar
O banco de dados da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) da Petrobras, em Araucária, no Paraná, conta com 220 empresas ao todo, sendo 130 empresas já cadastradas localmente e o restante encontra-se em processo de cadastramento. O número de total de fornecedores que atendem as demandas da Refinaria é 700.
Os contratos de serviços, de rotina e pequenas obras, da Repar, envolvem 1.200 trabalhadores, sendo que 80% dessa mão de obra são locais. Há 134 contratos vigentes pela Refinaria, que podem ser de médio e de longo prazo, ou seja, plurianuais. Juntos, somam R$ 940 milhões. Setenta contratos foram fechados com empresas paranaenses.
O Seminário O Pré-sal: Mobilização da Cadeia de Fornecedores também será realizado em Londrina, norte do Paraná, no dia 21 de outubro. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site www.ric.com.br/presal.
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Sobre o Sebrae/PR
O Sebrae/PR - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Paraná é uma instituição sem fins lucrativos que foi criada para dar apoio aos empresários de pequenos negócios e aos empreendedores interessados em abrir micro e pequenas empresas. No Brasil, são 27 unidades e 750 postos de atendimentos espalhados de norte a sul. No Paraná, cinco regionais e 11 escritórios. A entidade chega aos 399 municípios do Estado por meio do atendimento itinerante, pontos de atendimento e de parceiros como associações, sindicatos, cooperativas, órgãos públicos e privados. O Sebrae/PR oferece palestras, capacitações empresariais, treinamentos, projetos, programas e soluções empresariais, com foco no empreendedorismo, setores estratégicos, políticas públicas, tecnologia e inovação, orientação ao crédito, acesso ao mercado, internacionalização, redes de cooperação e programas de lideranças.