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Seminário debaterá políticas públicas para culturas populares

Publicado em 07.02.2005 por Agência Brasil

Alessandra Bastos

Repórter da Agência Brasil


Brasília - Entre os dias 23 e 26 deste mês, Brasília vai sediar o primeiro Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares. Ao final do encontro, dez propostas de ações públicas para a cultura popular serão entregues ao ministro Gilberto Gil. Elas estão sendo discutidas e preparadas desde março do ano passado.

Manifestações folclóricas ou que não estejam na grande mídia fazem parte do projeto. "Tudo aquilo que não é cultura de massa", explica o coordenador da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo. Bumba-meu-boi, violas de cocho e caipira, samba de roda, chula, maracatu, carimbó e até hip-hop são alvos das propostas.

Quatorze oficinas, realizadas em diferentes estados, foram o primeiro passo para o documento final. Ao todo, mais de três mil pessoas já participaram das discussões. De cada oficina, dez propostas foram fechadas. Agora, durante o Seminário Nacional, elas serão discutidas e dez propostas consideradas prioritárias serão eleitas.

Na visão do ministério da Cultura, a criação do Instituto Nacional de Cultura Popular - que articularia a relação com o Estado - é a principal iniciativa para se criar políticas públicas para a área. Segundo o sub-secretário de Identidade e Diversidade Cultural, Ricardo Lira, a criação do instituto se faz necessária já que não existe nenhum órgão público que trabalhe com a questão. "Seria a Funarte (Fundação Nacional da Arte) das culturas populares, trataria da manifestação artística porque a preservação é função do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)", explica.

A intenção é que o instituto não seja um órgão protecionista, mas fomentador. "A proposta não é colocar debaixo do braço, mas manter a cultura popular com suas raízes por meio de incentivo e estímulo à produção", lembra o coordenador regional de Brasília da Funarte, Claudinei Pirelli.

Uma política para melhorar a circulação das produções, a destinação de uma cota mínima do orçamento do Ministério da Cultura para as culturas populares e a criação de uma aposentadoria para os artistas populares são pontos levantados na maioria das oficinas. "A cultura popular é tratada como algo exótico, esquecem que por trás tem um ser humano, e geralmente ela é feita pelos mais pobres", afirmou Zulu, um dos coordenadores do grupo de trabalho.

O grupo de trabalho, responsável pela organização do Seminário Nacional, é formado pela Secretaria da Identidade e Diversidade Cultura do Minc, Fundação Palmares, CNCP e Fóruns de Cultura Popular do Rio de Janeiro e São Paulo. O seminário será no Complexo Cultural da Fundação Nacional da Arte (Funarte), em Brasília. São esperadas mais de mil pessoas. Já foram feitas 630 inscrições.

(Alessandra Bastos)


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