O uso do fogo no espaço agrário brasileiro tem sido responsável pela devastação de imensas áreas de cobertura vegetal todos os anos no Brasil, provocando anualmente mais de 200 mil focos de calor. A atividade vem resultando em sérias implicações sócio-ambientais e pondo em risco áreas protegidas tais como os Sítios do Patrimônio Mundial Natural reconhecidos pela UNESCO. Para debater o assunto, será realizado, de 15 a 19/04, no Hotel Bella Itália, em Foz do Iguaçu (PR), o Seminário O Fogo no meio rural e a proteção dos Sítios do Patrimônio Mundial Natural no Brasil: Alternativas, implicações sócio-econômicas, preservação da biodiversidade e mudanças climáticas.
O evento, que foi aberto no domingo, 15 /04, às 20h, no Parque Nacional do Iguaçu, teve a participação do Coordenador do Setor de Ciências Naturais da UNESCO no Brasil, Celso Schenkel, do Chefe do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Elmo Monteiro, e do especialista em Educação Ambiental e em Fogo, Genebaldo Freire, ambos do IBAMA, além de 80 autoridades da área e representantes de unidades de conservação do Brasil.
O objetivo do Seminário é congregar num espaço de diálogo democrático os principais grupos sociais e entidades envolvidas com a gestão dos recursos naturais no meio rural e instituições preocupadas com o desenvolvimento de pesquisas científicas e ações que visem à substituição do uso do fogo nas atividades agrosilvipastoris, representando um esforço conjunto da sociedade brasileira pela preservação de áreas protegidas como os sítios.
No Brasil, existem sete sítios naturais junto à UNESCO : Parque Nacional do Iguaçu (1986) ; Costa do Descobrimento Reservas de Mata Atlântica (1999), Mata Atlântica Reservas do Sudeste (1999), Área de Conservação do Pantanal (2000), Complexo de Conservação da Amazônia Central (2000/2003), Ilhas Atlânticas Brasileiras: Fernando de Noronha e Atol das Rocas (2001) e Área de Proteção do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas (2001). Os sítios são considerados excepcionais do ponto de vista da diversidade biológica e da paisagem. Neles, a proteção ao ambiente, o respeito à diversidade cultural e às populações tradicionais são objeto de atenção especial. Eles geram, além de benefícios à natureza, uma importante fonte de renda oriunda do desenvolvimento do ecoturismo.
O Seminário é uma iniciativa conjunta do IBAMA (Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis) e da UNESCO na busca de alternativas que reduzam o potencial que muitas atividades realizadas no meio rural têm de promover danos a essas áreas. A idéia é estimular a substituição gradual do uso do fogo nas atividades agrosilvipastoris no entorno de unidades de conservação, o que contribuiria para uma redução significativa de um dos principais riscos à integridade dos sítios, que têm reconhecida relevância ambiental para o Brasil e o mundo.
O encontro está sendo realizado no âmbito do Programa Conservação da Biodiversidade nos Sítios do Patrimônio Mundial Natural no Brasil (Projeto BRA-Patrimônio) e do PREVFOGO/IBAMA. O Projeto BRA-Patrimônio é um Acordo de Cooperação Técnica entre a UNESCO, o Ministério do Meio Ambiente, o IBAMA, a United Nations Foundations (UNF), o World Wildlife Fund (WWF), The Nature Conservancy (TNC) e Conservação Internacional (CI).
Entre os assuntos que serão discutidos no Seminário estão: O uso do fogo no espaço agrário, suas conseqüências sócio-ambientais e as mudanças climáticas globais; Experiências e propostas de substituição ao uso do fogo em atividades agrosilvipastoris; Unidades de Conservação e conflitos com o meio rural; Incêndios florestais e estratégias de prevenção e combate; Políticas de estímulo à substituição ao uso do fogo no espaço agrário; e Produção científica e o uso do fogo no meio rural.
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