Um dos temas levantados no 3º Congresso Internacional de Medicina e Reabilitação da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e 5º Congresso de Reabilitação da Organização Internacional dos Teletons (Oritel) é a Síndrome Pós-Poliomielite (SPP). A doença, que atinge pessoas que tiveram poliomielite, será abordada pela dra. Sheila Ingham, da AACD de São Paulo. O evento acontece entre os dias 3 e 5 de agosto, no Memorial da América Latina, na Avenida Auro Soares de Andrade, 664 - Barra Funda, em São Paulo.
Para discutir a importância da avaliação de pacientes por especialistas de diversas áreas da saúde, trocando o tratamento mecânico por um mais funcional e modernas técnicas de reabilitação, estarão reunidos especialistas de 15 países, entre eles Estados Unidos, Suíça, Brasil, Chile, México e Uruguai.
Extinta do Brasil desde 1989, a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, já não preocupava tanto os profissionais da saúde. No entanto, a manifestação dos sintomas da doença entre aqueles que a tiveram quando crianças tem exigido retomada da atenção perante a comunidade médica.
Os principais sintomas da SPP são fraqueza muscular, tanto em músculos afetados previamente pela poliomielite como em partes que não foram afetadas; dor nos músculos e articulações; fadiga; intolerância ao frio; dificuldades respiratórias e problemas para dormir. A síndrome pode se desenvolver em pessoas que tiveram poliomielite aguda, tanto as que apresentaram paralisia grave ou naquelas que ficaram com seqüelas mínimas.
Porque a pólio volta a atacar
A paralisia infantil provoca a perda de ramificações dos neurônios motores, responsáveis pela contração dos músculos, que, com o tempo, é destruído e eliminado, fazendo com que as fibras musculares a ele ligadas não recebam estímulos para a realização do movimento.
Neurônios motores vizinhos, que não foram afetados, expandem suas ramificações com o objetivo de suprir a ausência do neurônio doente eliminado. É em função disto que, após curados há algum tempo e realizado tratamento de reabilitação, vítimas de pólio poderiam ter seus movimentos parcialmente recuperados.
No entanto, depois de anos executando as suas funções e as de células que morreram em função da pólio, os neurônios vizinhos não suportam mais o trabalho em excesso e eliminam tanto as ramificações "adaptadas" como as próprias. Como resultado, há o retorno dos sintomas, tanto em membros anteriormente afetados pela doença quanto naqueles que não sofreram o ataque do vírus.
AACD
Instituição filantrópica, mantém um amplo serviço de assistência médica, pedagógica e social voltado, principalmente, às crianças e adolescentes, promovendo a reabilitação e reintegração social dessas pessoas. Hoje, 96% das consultas e terapias realizadas pela AACD são gratuitas.
Atualmente, a entidade realiza cerca de cinco mil atendimentos por dia em suas unidades: AACD - Vila Clementino (sede), AACD - Mooca, AACD - Pernambuco, AACD - Minas Gerais, AACD - Rio Grande do Sul, AACD - Osasco e AACD Rio de Janeiro.
Oritel
A Oritel tem como signatárias instituições, de numerosos países, que possuem Centros de Reabilitação de grande porte associados ao Projeto Teleton, cujos direitos no Brasil são exclusivos da AACD. O Teleton realiza campanhas, em especial em maratonas na televisão e por telefone, visando à arrecadação de recursos para as entidades.
O objetivo do evento em São Paulo é promover a troca de experiências e tecnologias entre seus participantes, assim como auxiliar outros países a desenvolverem seus próprios projetos para a construção de Centros de Reabilitação.
Público-alvo
Médicos Fisiatras, Ortopedistas, Neurologistas, Neurocirurgiões, Urologistas, Pediatras, Geneticis