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Sistemas Agroflorestais Recebem Apoio para Investimento

Publicado em 25.06.2009 por Pauta Social

Projetos de sistemas agroflorestais serão beneficiados com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O lançamento do edital destinado a atender o setor deverá ser apresentado com base nos encaminhamentos propostos pelos participantes do VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (CBSAF).

O anúncio foi feito pelo secretário Nacional de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, Joe Valle, durante a abertura do evento, na noite da última segunda-feira, 22, em Luziânia (GO). Criado em 1969, o FNDCT foi criado para apoiar financeiramente programas e projetos de desenvolvimento científico e tecnológico, apresentados por instituições de ensino superior, centros e institutos de pesquisas, empresas públicas e privadas, fundações e associações de classe, entre outros.

Em um evento como este, em que tantos temas importantes estarão sendo discutidos, não há dúvidas de que haverá propostas fundamentais à elaboração de políticas públicas mais adequadas, destacou. Segundo o secretário, a falta de subsídios que norteiem os gestores da administração pública é uma dificuldade que poderá ser solucionada a partir do encontro de representações de todos os segmentos do setor, pela primeira vez reunidos em um grande debate que une ciência e saber popular.

Para ampliar e reforçar o conhecimento em sistemas agroflorestais no Brasil, Joe Valle defendeu a criação de cursos técnicos específicos para a área, a exemplo do que já acontece com os sistemas agroecológicos. Esta é a chance de referência para a agricultura, que atualmente é responsável por 40% do Produto Interno Bruto Nacional, concluiu.

De acordo com a diretora-executiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que participou da solenidade, o momento em que o congresso acontece coincide com a elaboração do Zoneamento Ecológico Econômico do Nordeste e da Amazônia e reforça a necessidade de discussão dos serviços ambientais. É preciso sistematizar a adoção dos SAFs nos biomas e investir na formação de profissionais disse. Esse foco também tem sido adotado dentro da Embrapa, na área de pesquisa, com o objetivo de contribuir com a formação de redes de conhecimento, que beneficiem os sistemas agroflorestais.

O presidente do VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais, pesquisador Felipe Ribeiro, lembrou que o principal desafio do congresso, que prossegue até o dia 26 (sexta-feira) é o próprio tema, ou seja, o estabelecimento do diálogo de saberes. Por isso convidamos a todos para estar aqui e participar de atividades durante todo o dia, com o objetivo de criar um ambiente de envolvimento entre os participantes, explicou. Este é o lugar para falar e para ouvir.

Também estiveram presentes à abertura do evento o presidente da Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, Ivan Crespo, o presidente da Emater/DF, Carlos Magno, a gerente da Embrapa Transferência de Tecnologia, unidade promotora do congresso, Lílian da Costa, e a conselheira da organização-não governamental Mutirão Agroflorestal, Patrícia Vaz.

Diálogo artesanal

Ainda como parte da programação da noite, participaram da primeira conferência do evento, sobre Diálogo de Saberes para Sociedades Sustentáveis, o professor da Universidade de São Paulo, Marcos Sorrentino, e do coordenador-geral de Educação Indígena do Ministério da Educação, Gersem Baniwa. Sorrentino, que é especialista em Educação Ambiental, destacou a importância do diálogo para a construção de identidades e as SAFs, segundo ele, contribuem para isso, porque indicam o caminho do diálogo artesanal, olho no olho, a partir do amor incondicional.

Na opinião de Baniwa - primeiro representante indígena a ser titulado mestre em Antropologia Social pela Universidade de Brasília - o diálogo precisa de densidade e coerência, e ocorrer horizontalmente, sem a imposição de um saber sobre o outro. Mas, antes de mais nada, é fundamental saber sobre o quê estamos falando, sobre o que realmente significa uma sociedade sustentável.

O evento do dia 22 foi encerrado com um show especial dos violeiros Roberto Corrêa e Badia Medeiros, em uma demonstração musical do que representam os saberes erudito e tradicional da música brasileira de raiz.


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