29/09/2011 - Ontem, o site NOTÍCIAS & NEGCIOS ou NN (www.noticiasenegocios.com.br) foi um dos primeiros veículos de comunicação a noticiar a intenção de o Banco do Brasil (BB) transferir alguns setores do Distrito Federal para São Paulo (leia aqui - http://www.noticiasenegocios.com.br/?p=1427). Após esta notícia, outros veículos, como o Correio Braziliense, investiram no assunto. No Blog do Vicente Nunes, editor de Economia do Correio, a novidade é que a Presidente Dilma Rousseff está cobrando explicações do BB a respeito.
Leia abaixo as matérias do Correio e a íntegra da nota publicada no Blog do Vicente Nunes.
Blog do Vicente Nunes
Dilma cobra explicações de Bendine
A presidente Dilma Rousseff ligou, hoje pela manhã(29), para o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendini, para cobrar explicações sobre o processo de transferência de boa parte das atividades da instituição de Brasília para São Paulo. A mudança, conforme relevou o Correio Braziliense, tem como objetivo favorecer o PT paulista nas eleições municipais de 2012.
Quem mais está ganhando com esse processo é o deputado federal Ricardo Berzoini, que vem indicando funcionários para cargos estratégicos dentro da instituição.
Berzoini tinha perdido poder dentro do Banco do Brasil, depois de denúncias envolvendo vários de seus afilhados políticos. Ficou afastado do BB no fim do governo Lula. Mas, agora, voltou com tudo a dar as cartas na instituição.
Berzoini é ex-funcionário do BB e já foi presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
O que está causando estranhamento dentro do BB é que Aldemir Bendine assumiu, em 2009, a presidência do banco para justamente reduzir a interferência política no dia a dia da instituição.
Mas, aos poucos, foi abdicando da missão. Bendine, por sinal, vê como suplício ter de vir a Brasília todas as semanas para reuniões com a sua diretoria. Na maior parte do tempo fica em São Paulo. Por isso, o seu aval para a transferência das diretorias de Marketing e Comercial, da gerência de agronegócio, da área de suporte operacional e de mais de 2 mil funcionários para a capital paulista.
Bendine, por sinal, só apresenta os resultados do BB em São Paulo, apesar de a sede da instituição, pelo menos por enquanto, ficar em Brasília.
Correio Braziliense
Bancada do DF discutirá esvaziamento do Banco do Brasil em Brasília
Deputados federais e senadores da Bancada do Distrito Federal vão se reunir às 14h30 desta quinta-feira (29/9), na sala de reuniões da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, para discutir o esvaziamento do Banco do Brasil em Brasília. Reportagem publicada nesta quinta no Correio Braziliense revelou que, até 2014, a instituição pretende enviar para São Paulo ao menos um terço das diretorias e cerca de 2 mil empregados das áreas que não lidam diretamente com o público.
A maior parte das transferências deve ser concluída até 2012, ano das eleições regionais. A ideia é fortalecer o PT na disputa em São Paulo. “Vejo esse esvaziamento com muita preocupação. É um absurdo, uma agressão a Brasília. Vamos tomar todas as providências que estão ao nosso alcance para evitar isso”, afirmou o senador Rodrigo Rollemberg (PSB/DF), coordenador da Bancada do DF no Congresso Nacional. Ele convocou a reunião para discutir as medidas a serem tomadas em relação às mudanças realizadas nas instalações em Brasília. Uma das iniciativas será convidar o presidente do BB, Aldemir Bendine, para prestar esclarecimentos na Câmara. “Liguei para o presidente ontem, mas ele negou a situação. No entanto, outras pessoas que conheço dentro do banco confirmaram que diretorias como a internacional, a de mercado de capitais e a de crédito estão sendo esvaziadas”, disse o senador.
Correio Braziliense
BB esvazia sede no DF ao transferir um terço das diretorias para São Paulo
por Victor Martins e Vânia Cristino
29/09/2011 Na surdina, o Banco do Brasil está desidratando suas instalações em Brasília, num movimento que pode resultar no esvaziamento econômico do Distrito Federal. Até 2014 pretende enviar para São Paulo um número expressivo de funcionários pelo menos um terço das diretorias e cerca de 2 mil empregados das áreas que não lidam diretamente com o público estão de mudança. A maior parte da operação deve ser concluída até 2012, ano das eleições regionais.
Nos bastidores, fala-se que a estratégia visa fortalecer o PT no pleito. Tanto é assim que, nos gabinetes mais altos do Planalto Central, a sigla BB ganhou outro significado: Banco do Berzoini, uma referência ao deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), considerado o articulador do movimento. Ex-funcionário do BB e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ele mantém grande influência sobre a instituição desde o governo Lula.
A mudança para São Paulo começou a ser preparada em 2010, quando parte da gerência de Agronegócio e da Diretoria Comercial, que cuida dos grandes clientes empresariais, instalou-se na capital paulista. A cidade de São Paulo levou ainda um terço da diretoria de Crédito e 70% da de Marketing, que, na transição, dobrou seu orçamento de R$ 240 milhões para R$ 420 milhões. A próxima a migrar é a área de Suporte Operacional.
“Áreas de interesse social e negocial devem mudar, mas a sede do banco não sai de Brasília, ela não pode, tem de ficar junto à capital”, disse um técnico que prefere se manter anônimo.
Caixa acompanha
A Caixa Econômica Federal também estaria fazendo movimento semelhante e levando áreas para São Paulo até a divulgação de informações sobre a instituição, como balanços e estatísticas, foi, em grande parte, transferida para a capital paulista.
Para Adelmir Santana, ex-senador e atual presidente da
Federação Nacional do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio), a situação é alarmante e causará impacto negativo sobre a economia local. “São funcionários de boa renda que deixam a cidade. É uma medida fora de propósito”, criticou.
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) fez coro. “É um absurdo essa situação. Duvido que a presidente Dilma tenha conhecimento disso”, afirmou. “Vamos reunir a bancada do DF para manifestar nosso repúdio a essa medida e cobrar a reversão das transferências”, garantiu.
Força de Berzoini
O Sindicato dos Bancários do DF também é contra a restruturação no BB. Segundo Eduardo Araújo, um dos diretores da entidade, a maioria das transferências não atende a critérios técnicos. “Devem levar gente de todo o país para São Paulo e uma parte para o Paraná”, explicou. Araújo afirmou que o processo está ocorrendo de maneira gradual para não chamar a atenção. “A cada semestre uma diretoria vai para São Paulo”, observou.
Procurado pelo Correio, Ricardo Berzoini afirmou que “há meses” está afastado dos assuntos do Banco do Brasil. “Não tenho influência nenhuma, no máximo uma boa relação com o sindicato. Isso é uma fantasia”, rebateu. A Caixa Econômica negou que esteja transferindo setores para São Paulo.
O BB informou que “qualquer ilação com política é descabida” e que não tem ligação alguma com Berzoini. Disse que “não existe informação oficial” acerca da migração de um terço das diretorias e de 2 mil empregados para São Paulo. Destacou ainda que nas representações das diretorias da instituição na capital paulista trabalham o equivalente a 10% dos funcionários lotados no DF.
A instituição informou também que, apesar de ser líder em todas as regiões do país, o BB ocupa a terceira colocação no mercado paulista e que, por isso, reposições de áreas de negócios sempre são analisadas buscando a liderança. “Mas isso não significa que o BB esteja se mudando para lá”, afirmou o banco em nota.
Centro financeiro
Os funcionários do Banco do Brasil transferidos de Brasília seinstalaram em dois prédios na Avenida Paulista, um dos principais centros financeiros da capital de São Paulo. Um dos edifícios foi recentemente adquirido pela instituição e outro pertencia ao Banco Nossa Caixa, cujo controle acionário passou para o BB em março de 2009. Um dos argumentos para a compra de um dos edifícios foi a proximidade com grandes clientes.