Marcela Rebelo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Um dos temas discutidos no 4º Fórum Global de Combate à Corrupção, em Brasília, é a importância da sociedade civil se organizar para estimular a transparência das ações governamentais. Para a diretora de operações da organização não-governamental Transparência Brasil, Ana Luíza Fleck, a população pode ajudar no combate à corrupção por meio dos conselhos existentes nos municípios. "No Brasil, temos um grande mecanismo institucional que são os conselhos: da saúde, da educação, da assistência social, os conselhos escolares. E eles podem ser um excelente mecanismo de participação da sociedade civil", afirmou.
Ana Luíza ressaltou que, nos conselhos, o cidadão pode acompanhar e discutir como está sendo feita a aplicação de recursos. Ela lembrou, porém, que é necessário capacitar os conselheiros. "Uma coisa é você zelar pelo bem público, mas para você monitorar a gestão pública requer um conhecimento específico que a população não tem, um conhecimento específico sobre licitação, contratos e convênios, que nem todos têm. Então é preciso capacitar", ressaltou a diretora.
O diretor para ética e integridade de Uganda, Jim Ashaba Aheebwa, também ressaltou a necessidade de capacitar os cidadãos. "Muitas pessoas não entendem como funcionam os contratos. Por isso, desenvolvemos treinamentos e algumas pessoas se tornaram tão capacitadas que foram trabalhar em outro lugar", afirmou Jim. Ele relatou a experiência de seu país no combate à corrupção. "A população organiza manifestações como a semana contra a corrupção. Além disso, estamos revisando nossa lei para que ela possa abranger, por exemplo, a corrupção eletrônica", contou.
Jim lembrou que, muitas vezes, as pessoas que implantam os mecanismos de controle já as criam de forma que possam infringi-las. "Em Uganda existe a expressão: você caça com o ladrão. Dessa forma, o ladrão só nos leva para aonde tiver interesse", disse.
Ana Luiza Fleck e Jim Ashaba participaram da oficina "Sociedade Civil", onde foram discutidas maneiras de aperfeiçoamento dos mecanismos de controle. A oficina segue até sexta-feira durante o 4º Fórum Global de Combate à Corrupção. O Fórum reúne especialistas de vários países para trocar experiências sobre formas de combate à corrupção.